Esta produção comandada pelo autraliano Peter Weir (Sociedade dos Poetas Mortos) custou astronômicos U$ 135 milhões e vale cada centavo investido. Poucas produções até agora conseguiram ser tão fiés ao universo retratado, que é a do mundo náutico e tudo o que o cerca. O pano de fundo são as guerras napoleônicas, a embarcação britânica H. M. S. Surprise liderada pelo obstinado capitão Jack Aubrey (Russel Crowe de O Gladiador que merecia uma indicação ao Oscar este ano devido a sua atuação magistral) tem a missão de derrotar outro outro navio, o francês Acheron, muito mais potente e rápido. Já no comecinho temos um embate entre os dois. Aubrey sai terrivelmente derrotado e a partir dai, vencer seu inimigo francês será a sua obstinação. Weir não se atêm muito aos detalhes históricos, os protagonistas não são reais, eles foram tirados dos livros escritos por Patrick O Brian que escreveu 20 volumes com o Capitão! Como contra ponto temos o personagem Stephen Maturin (vivido por Paul Bettany que já contracenou com Crowe em Uma mente Brilhante, ele era o amigo invisivel do matemático) único médico e cirurgião a bordo e que apesar de serem amigos tem posturas completamento diferentes. O doutor é mais humano e coloca o bem estar de todos em primeiro lugar, já Aubrey é mais duro e basicamente quer acabar com navio francês quase a todo custo. O médico também é admirador da zoologia, estudando várias espécies de animais quando vão a Galápagos. Nas mais de duas horas de projeção quase não saimos do Surprise o capricho na recontituição dos detalhes da época são impressionantes. Weir mostra tudo detalhadamente, o clima clautrofóbico, os detalhes do dia-a-dia, as relações entre os marinheiros até o vocabulário náutico típico e incompreensível para a maioria das pessoas, como boreste, que é o mesmo que estibordo, lado direito da embarcação e Gajeiro, marinheiro a quem se confia o serviço de um mastro, velas e vergas. Mas não se preocupe tudo é de fácil compreensão apesar de irritar alguns amis impacientes com tantos termos técnicos. Não há presenças femininas em todo o filme (a não ser uma brasileira que é mostrada por dois segundos) isso quer dizer que não há nenhum tipo de romance, o que pode espantar um pouco as mulheres dos cinemas. E isso não se trata de machismo, era assim mesmo, os marinheiros ficavam meses a fio sem ver absolutamente nenhuma mulher. Mestre dos Mares está concorrendo a 10 Oscar, muito provavelmente não vai ganhar muitos mas merece pelo menos os mais técnicos como edição de som e efeitos visuais.
|