O Mistério de Grace


Apontar 'O Mistério de Grace' como um filme ruim é fato, portanto, esteticamente, a trama é invejável. Os atores são bons, a edição é competente, assim como o trabalho de som. Trazendo a história de um bebê que só se alimenta de sangue, Grace é um filme que pode não agradar ao público em geral, ganhando status de Cine Trash ao longo da sua carreira, o que seria merecido. Com polêmica estréia no Festival de Sundance, Grace apresenta uma trama controversa que dividiu a mídia estrangeira.

A trama é a seguinte: Madeline Matheson está grávida de oito meses e determinada a parir sua filha ainda não nascida, Grace, naturalmente. Quando um acidente mata o bebê dentro dela, Madeline insiste em manter o filho dentro de seu corpo. Sabemos do mau agouro em relação à criança desde o começo do filme: ao conceber a criança, Grace transa com o marido de forma robótica, desgostosa. Na cena, surge ainda rompantes de gato preto e sangue, parte pelo qual o filme apresenta o seu lado mórbido.

Semanas após o tal acidente, Madeline decide ter o bebê, que milagrosamente retorna à vida. A moça gera a sua filha com a parteira amiga, já que não acha bacana medicalizar tal processo. Depois de voltar para casa, a saúde de Madeline começa a se deteriorar. Quando o apetite da criança por leite é substituído por uma fome sinistra por sangue humano, Madeline deve tomar uma decisão de mãe para saber até onde ela seria capaz de ir para salvar sua filha.

Há cortes inquietantes: numa cena, Madeline cata um rato morto pelo gato da casa e em seguida, num corte brusco (seco), a família está diante da mesa, almoçando um prato de cor similar. As moscas são um caso a parte: onde o bebê se encontra, elas estão no local, rodeando. Madeline chega a comprar vários quilos de carne no mercado, extrair seu sangue e colocá-lo numa mamadeira para a criança, que sempre rejeita, preferindo o sangue oriundo do seio da mãe.

Escrito e dirigido por Paul Solet, O Mistério de Grace é mórbido em excesso. Eis a pergunta: qual a intenção desta produção, que faz apelo a uma trama requentada dentro do panorama dos filmes “podreira” da distante década de 80?


Nota:
Crítica por: Leonardo Campos