Sinopse: Depois de um ataque mal-sucedido contra as tropas nazistas, alguns soldados estadunidenses se refugiam em um vilarejo italiano. Enquanto esperam por resgate, convivem com a população local.

Como já é hábito em grande parte de sua obra, Spike Lee (Faça a Coisa Certa) volta a tratar do racismo. Milagre em St. Anna (Miralce at St. Anna) ele denuncia as dificuldades dos soldados negros e latinos durante a Segunda Guerra Mundial. Basta ver matérias jornalísticas sobre os combates no Oriente Médio para perceber que esses grupos continuam servindo de bucha de canhão do Exército.
Mesmo com 160 minutos de duração, há poucas cenas de combate no filme. Porém, tais sequências são bem vívidas, com a violência da guerra retratada em corpos mutilados.
As fortes imagens são apenas um dos recursos que Spike Lee usa para emocionar. Quem não for muito fã de exageros pode não gostar do filme. Por outro lado, quem se dispuser a mergulhar nos dramas exibidos, com certeza sairá da sala de projeção com o coração arrebatado.
A música composta por Terence Blanchard que já tem uma parceria duradoura com o diretor é outra ferramenta em busca de fortes emoções. Os nerds com certeza se lembrarão de um grande título sobre a Segunda Guerra Mundial: a franquia de jogos Medal of Honor.

A direção de fotografia de Matthew Libatique (Homem de Ferro) também merece elogios. A iluminação competente une-se aos enquadramentos bem planejados pelo diretor para criar imagens que parecem quadros lindos. Trata-se, porém, de uma beleza macabra, já que muitas vezes o sangue dos soldados serviu de tinta para essas gravuras.