O Mistério da Estrada de Sintra

Sinopse: Ramalho Ortigão é raptado e envolve-se em um mistério que culmina com a morte de um militar inglês. Ele usa o caso para escrever, junto com seu amigo Eça de Queirós, o caso no formato de folhetim para o Diário de Notícias.

O Mistério da Estrada de Sintra não é apenas a adaptação do folhetim escrito por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão para um jornal, em 1870. O filme também mostra o processo de criação e a repercussão deste na sociedade, já que a obra transita no limiar entre realidade e ficção.

No elenco vale ressaltar o ótimo desempenho de Ivo Canelas como Eça. Por ser uma co-produção luso-brasileira, estão escalados Bruna di Tullio (Paraíso Tropical), Gisele Itié (O Profeta) e Flávio Galvão (Senhora do Destino), mas os personagens que eles interpretam não são brasileiros: Bruna é uma condessa portuguesa, Gisele é uma sensual cubana e Flávio é um rico espanhol.

Por retratar tanto âmbito real da vida em Portugal, quanto à fantasia escrita por Eça e Ramalho, e alguns personagens estarem presentes em ambas as frentes, é fácil de confundir-se. Uma solução que facilitaria o entendimento seria uma mudança na direção de fotografia, favorecendo algumas cores no mundo real e outras no literário.

As falas não são um desafio aos ouvidos brasileiros, com o sotaque lusitano presente, mas não tão forte. Como toda obra que tome como ponto de partida o realismo, cenas de sexo são inevitáveis. Felizmente elas são executadas com precisão, sem apelar. Por esses motivos, além do teor da trama, é bem provável que muito professor de literatura se interesse em pedir que seus alunos assistam a O Mistério da Estrada de Sintra.

Nota:
Crítica por: Edu Fernandes
Site: www.homemnerd.com