A verdade seja dita. Mesmo que existam filmes como Se eu fosse você, Pequeno Dicionário Amoroso ou Sexo, amor e Traição, o espectador brasileiro contemporâneo ainda não esta acostumado a assistir a este tipo de filme. Tudo bem que tivemos nossa fase da chanchada mas depois do cinema da retomada, período que compreende o lançamento de Carlota Joaquina (1994) até os dias atuais, a região nordeste e sua cultura dita "exótica" e a violência no Rio de Janeiro foram os temas prediletos da maioria dos diretores, havendo claro, algumas raras exceções.

A Mulher Invisível deveria ser invisível como a personagem título. O filme é um amontoado de clichês e Selton Melo, um dos melhores atores do cinema nacional contemporâneo esta irritante ao carregar na atuação formulaica do tipo que encarna nesta comédia dirigida por Claudio Torres, que um dia soube o que era fazer cinema ao dirigir Redentor (2002).
Pedro (Selton Mello, exagerado) ainda acredita no conceito do casamento, enquanto que Carlos (Vladimir Brichta, chato) não aceita a possibilidade de que um homem passe toda sua vida ao lado da mesma mulher. Os dois são colegas de trabalho em uma sala de controle de tráfego da prefeitura. Um dia Carlos fica preocupado com o amigo, devido ao estado depressivo dele ao ser abandonado por sua esposa, Marina (Maria Luísa Mendonça). Vitória (Maria Manoella), vizinha de Pedro, testemunha silenciosamente seu drama através de um buraco na parede. Até que subitamente alguém bate na porta de Pedro. Trata-se de Amanda (Luana Piovani, belíssima, o melhor do filme), sua nova vizinha, que veio apenas lhe pedir açúcar. Com um jeito inocente e ao mesmo tempo sedutor, ela muda a vida de Pedro. Só que tem um problema: Amanda é invisível.

Espera-se de comédias deste tipo, o conhecido desligamento do cérebro. É sentar e rir das situações cômicas que este tipo de narrativa promete mas isso não acontece. A Mulher Invisível não perde por sua idéia não original mas sim pela monotonia que a história é contada, preocupada com pequenos detalhes.
O filme traz ainda Fernanda Torres em ótimo desempenho, salvando a trama do horror. O roteiro é assinado por Claudio Torres e a exibição é longa demais para um fiapo de história: 104 minutos. Arrisque a sua paciência e não se empolgue com o trailer do filme, pois as promessas realizadas não são pagas.