Durante as Olimpíadas de 1972 em Munique, na Alemanha, um grupo de atletas israelenses é feito refém e depois morto por extremistas árabes. Depois do massacre, o governo de Israel reúne cinco agentes para localizar e aniquilar os onze homens responsáveis pelo planejamento do atentado. Dos acontecimentos desta busca, o diretor Steven Spielberg entrega ao público um de seus filmes mais politizados e tensos. Saem de cena as conhecidas imagens poéticas do cineasta e, em seu lugar, entra uma montagem nervosa, carregada de cenas sanguinolentas, que chegam a beirar o impacto de outra obra do diretor, O Resgate do Soldado Ryan. Com momentos de intenso suspense, Munique empolga e tem o mérito de não cair em julgamentos unilaterais, mostrando que, quando o assunto é guerra, cada lado tem seus motivos para acreditar estar com a razão. 
No centro desta tormenta, o agente da inteligência israelense Avner (Eric Bana, de Hulk e Tróia), terá de abandonar a mulher grávida para chefiar a missão de vingança. Ele passa a liderar uma equipe do Mossad serviço secreto de Israel - formada por outros quatro homens, com talentos, nacionalidades e temperamentos diferentes. Destaque aqui para a presença do loiro Daniel Craig, que estreará neste ano como o novo James Bond, em Cassino Royale. Para encontrar a maioria de seus alvos, o grupo recorre aos serviços do enigmático Louis (Mathieu Amalric), de uma competente agência de localização de terroristas, sobre o qual paira a dúvida de trabalho bilateral. Nesta cama-de-gato, o ator Eric Bana ganha um personagem denso: enquanto caça, Avner passa a questionar a ética de sua missão e teme ser aniquilado, juntamente com a família, por meio dos mesmos métodos que aprendeu a utilizar. Ao lado de sua atuação marcante, o espectador é brindado com as presenças de Geoffrey Rush, como o contato do Mossad, Ephraim; do diretor e ator francês Michael Lonsdale (de O Nome da Rosa), como Papa; e de Lynn Cohen, mais conhecida pelos trabalhos na TV americana, como a primeira ministra de Israel, Golda Meir. 
Munique é baseado no livro A Hora da Vingança, de George Jonas, que está voltando às livrarias do país. A obra foi adaptada para o cinema pelo dramaturgo Tony Kushner (Angels in America) e pelo roteirista Eric Roth (Forrest Gump) e ficou bastante longa: tem 164 minutos. Como no Globo de Ouro, onde recebeu indicações de melhor diretor e roteiro (sem, entretanto, levar os prêmios), o filme deve estar entre os principais concorrentes do próximo Oscar. Curiosidade: o ator Guri Weinberg interpreta o próprio pai na fita: o juiz israelense e ex-campeão de luta Moshe Weinberg, morto em Munique.
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