Sinopse: Após o divórcio, Lena tenta seguir a vida com seus dois filhos, Anton e Augustine. Deixa Paris e segue para a Bretanha, interior da França, para encontrar-se com seus pais. Lá, ao invés de paz, ela encontra mais problemas.
O cineasta francês Christophe Honoré (A Bela Junie) é muito apreciado pelos cinéfilos do circuito de arte por buscar sinceridade em seus filmes, além de testar levemente os limites da linguagem. Para quem não está acostumado a sua levada, serão os limites do sono que serão testados. Em Não, Minha Filha, Você não Irá Dançar (Non ma fille, tu n'iras pas danser) ele usa o ambiente familiar para contar a história de Lena.
O primeiro problema reside exatamente em sua protagonista, uma burguesa chiliquenta e impulsiva. Em várias oportunidades, quando ela vê que a situação não está do seu agrado, a mulher roda a baiana e ameaça ir embora, espernear e tudo mais. Nesse momento, o leitor sagaz acha que esse tipo de enredo é o ideal para que os personagens secundários roubem a cena e nos façam esquecer como é irritante a heroína. Infelizmente, não é isso que acontece.
Frédérique, a irmã mais nova, é uma negativista que faz questão de levar todos para baixo. Grávida, não se preocupa de acender cigarros e acabar com a saúde de seu feto. Seu marido é um paranoico que parace procurar qualquer pretexto para ter brigas com a esposa e pagar de coitadinho. Indo uma geração acima, a matriarca tem vontade própria e atropela o livre-arbítrio de quem está a sua volta. Descendo uma geração, o filho de Lena se esforça para acabar com a sua paciência e perde algumas oportunidades de ficar calado.
Para tentar salvar a família, também existem personagens simpáticos. Gulven, o irmão mais novo, é espirituoso e quer unir a todos. Ele parece ter puxado esse aspecto da personalidade de seu pai. Elise, namorada de Gulven, é mais uma que faz parte da minoria carismática de personagens em Não, Minha Filha, Você não Irá Dançar. Entretanto, essas figuras raras estão em poucas cenas e muitas vezes são esmagados pelos temperamentos difíceis dos demais membros da família.
Por se tratar de um filme francês em que uma família se reúne na casa dos pais, é bem fácil se lembrar de Um Conto de Natal. Até a verborragia, a demora e a teimosia para que os conflitos se resolvam de forma prática estão presentes nos dois títulos.