| Noite de Ano Novo dialoga com o título de uma das comédias do dramaturgo William Shakespeare: Muito barulho por nada. Antes que você pense que o filme é uma adaptação da peça, lhe adianto: antes fosse. Noite de Ano Novo, dirigido por Garry Marshall, é um filme cheio de pretensões, mas que não consegue prender o espectador satisfeito até os seus homéricos minutos finais: são 118 minutos de história.
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Por sinal, história confusa. O motivo de considerar Noite de Ano Novo muito barulho por nada está no elenco escalado para a trama: elenco estelar, acostumado a estampar os cartazes de seus respectivos filmes como protagonistas, mas que aqui, precisam dar conta dos papeis que desempenham, todos rasos, sem aprofundamento nenhum, distanciando o público de algumas passagens quase carismáticas. Estes são alguns dos problemas desta nova comédia romântica. Se quiser conhece-los a fundo, leia nosso especial até o final.

Ao iniciar a sessão de Noite de Ano Novo, já sabemos que coisa muito boa não vem por aí: na experiência anterior, Garry Marshall, veterano em produções românticas como Uma Linda Mulher (excelente) e O Diário da Princesa (engraçadinho) havia falhado ao dirigir Idas e Vindas do Amor, uma comédia romântica que pode ser considerada a primeira parte desta série sobre amores, dramas e datas especiais: o filme mostrava uma trama parecida, mas que se passava no Dia dos Namorados. O espectador é convidado a observar os personagens questionando as suas vidas e relações amorosas, assim como em Noite de Ano Novo: você já fez tudo que desejava este ano? Quais as suas metas para o próximo ano? Já se arrependeu das coisas ruins que fez? Estas são algumas das perguntas que os personagens fazem, reforçando aquilo que na vida real alguns odeiam (inclusive eu, que escrevo essa crítica indignado com a quantidade de dinheiro investido nesta produção, pensando em tantos filmes que provavelmente mais interessantes, esperam longamente por sinal verde para produção): as vésperas de datas como Natal e Ano Novo, as pessoas enviam as suas mensagens em massa, desejando felicidades até mesmo para aquelas pessoas que no dia a dia, sequer lhe saúdam com um bom dia.

Nesta versão de datas especiais, vários personagens se encontram e vivenciam os seus dramas: há o casal de vizinhos que ficam presos no elevador durante o processo de preparação para os festejos e acabam apaixonados. Há a mãe solteira e sua filha numa fase conflituosa: a adolescência. Na noite de Ano Novo, a filha foge de casa para encontrar o namoradinho e a mãe parte em busca da filha em meio a toda multidão na Times Square, local central da trama, onde todos se encontram. Há ainda o paciente em estado terminal, que morre logo depois da contagem regressiva. São tantas histórias que o público não consegue se identificar, distanciando-os do enredo e tornando a experiência tediosa.
Aspectos como a direção de arte e edição estão de parabéns. Acredito que nesse caso, seja uma obrigação. Uma produção tão cara tem que fazer bonito na técnica, para compensar a leveza do roteiro, sem grandes conflitos e com pouca inspiração. São quase duas horas de filme, e no final, depois de muito cansaço, somos obrigados a digerir todos os clichês possíveis. Nem a trilha sonora balançante de música conseguiu escapar do trivial: as canções de Jon Bon Jovi são rasas demais, e ver a personagem de Hilary Swank percorrendo os corredores do hospital, olhando alguns bebês recém-nascidos e lacrimejando ao som de What Wonderful World é no mínimo, irritante. Não pela qualidade da música, que considero, por sinal, uma das mais simples, mas não menos encantadora e reflexiva. É a falta de ousadia do diretor e dos envolvidos.

Como dito anteriormente, há muitos conflitos e pouca trama para dar conta dos mesmos: Robert De Niro faz o homem na cama do hospital, vítima de um câncer terminal. Após anos sendo um crápula com a família e os amigos, eis que ele se arrependeu de tudo e quer morrer dignamente. Hilary Swank faz a executiva do evento Noite de Ano Novo, na Times Square. Quando algo não sai do combinado, ela passa a ter o seu emprego comprometido. Halle Barrey encarna a enfermeira que cuida da personagem desenvolvido por De Niro. O marido da mesma vive longe e ela vivencia a solidão diariamente, até o marido retornar dos guerra que fora escalado. Os dois se comunicam pela internet. Isso mesmo. Clichês puros e direto da fonte: Hollywood, que ainda nos oferece Sarah Jessica Parker como uma mãe em conflito com a filha adolescente e Michelle Pfeifer como uma secretária cansada do emprego e que no dia 31 de dezembro, decide pedir demissão e cumprir a lista de pendências que fez para o ano que está por terminar. É aí que entra Zac Efron, como assistente da senhora, contratado para ajudá-la nas missões designadas para o ano que se encerra. São tantas outras tramas bobas que pouparei o leitor por aqui. Já basta.
Apesar de todos os problemas deste filme, devo assumir que a cena final é empolgante. Sarah Jessica Parker chega cheia de estilo, com um enorme salto e vestido ultrajante, encontra com o seu par romântico e segue caminhando pelas ruas da cidade. Algo que ela já fez bem melhor durante as seis temporadas de Sex and the City, portanto, um colírio para os olhos cansados do público, entediado após quase duas horas de lições de vida clichês e outras bobagens.

Qual a próxima data comemorativa do diretor Garry Marshall? Sugiro que produza algo na Noite de Halloween. Se a ideia é assustar o público, que venha então com algo mais coerente. Que o cinema hollywoodiano passa por uma crise bons roteiros, isso é fato. Mas atores do quilate de Noite de Ano Novo deveriam ter vergonha de aceitar propostas deste tipo.
Se a experiência não foi muito boa, apresento para vocês, caros leitores, alguns filmes que centram (ou situam algumas cenas) na noite de Ano Novo. Você está convidado para esta festa. Acompanhe:
Sex and the City – o filme: quatro jovens, desejáveis e cheias de desejo. Amigas inseparáveis na selva urbana de Nova York, trocando confidências sobre seus confusos relacionamentos sempre em mutação, tão diferentes quanto suas naturezas. Alguns dramas serão vivenciados na noite de Ano Novo.
Armadilha: a primeira produção apresentada é um intenso filme de ação, com cenas na noite de Ano Novo. Quando o mestre em roubos de arte "Mac" MacDougal (Sean Connery) cai na armadilha de intriga internacional da investigadora de segurosGil Baker (Catherine Zeta-Jones) o cenário já está montado para o mais fenomenal golpe e a mais bem bolada armadilha policial de todos os tempos.
O Poderoso Chefão 2: um dos filmes mais respeitados da história do Cinema. Estudantes, cinéfilos ou qualquer pessoa que se diz fã de cinema, deve assistir ao clássico. Desta vez, a trama situa alguns acontecimentos na noite de Ano Novo: durante os anos 50, Michael Corleone está agora a frente da família e tenta expandir seus negócios por Las Vegas, Hollywood e Cuba. Paralelamente, conhecemos a interessante história de Vito Corleone, ainda jovem na Sicília, em 1910, e como ele chegou a Nova York e começou a construir o seu império.
Poseidon: É Ano Novo a bordo do Poseidon. Alegres passageiros confraternizam erguendo suas taças para um brinde ao futuro. Mas o futuro chegamais rápido do que eles imaginam: uma onda de 150 pés acerta alateral do transatlântico e põe fim ao prazeroso cruzeiro... E dá início a desesperada luta pela sobrevivência! O diretor Wolfgang Petersen (Mar em Fúria) retorna ao mar nesta incrível adaptação para o romance de Paul Gallico, O Destino do Poseidon, repleta de ação e suspense. Josh Lucas, Kurt Russell, Richard Dreyfuss, Emmy Rossum e grandeelenco interpretam os passageiros que precisam confiar uns nos outrospara encontrarem a saída daquela gigantesca armadilha marítima,enfrentando chamas, água e destroços de um mundo de cabeça para baixo. E há um outro elemento em cena: o espetacular Poseidon, em seus gloriosos 13 andares e com a altura equivalente a 20 lojas! Ele virou, estremeceu e está prestes a implodir. Prenda o fôlego! Osuspense vai tirar seu ar! Todos a bordo para a maior aventura que o cinema já viu!
O Amor não tira férias: o filme se centra na vida de uma americana (Diaz) cujas relações com os homens são problemáticas. Ela acaba se encontrando com uma inglesa (Winslet) que sofre dos mesmos problemas. E adivinha em qual noite o filme centra parte da sua história? Isso mesmo, na noite de Ano Novo.
Pronto. Estas são algumas das opções sobre a intensa noite de Ano Novo. Em breve, especial sobre o cinema e a Noite de Natal.