Os Nomes do Amor
03.12.2011
Edu Fernandes

Recentemente se discute muito no Brasil os limites do humor, por causa de piadas ousadas feitas por alguns comediantes. Os acusados alegam que não pode haver assunto proibido no humor. A comédia romântica Os Nomes do Amor (Le nom des gens) exemplifica que tal afirmação é verdadeira, mas deixa claro que o problema não está no assunto da piada, mas na forma como ela é contada.

Em seu roteiro, há piadas sobre o Holocausto e abuso sexual de crianças, assuntos que não provocam riso automático. No filme, os temas são abordados de maneira que não ofenda seu público.

O casal de protagonistas tem experiências de vidas ligadas com esses assuntos. Apesar de aparentarem ser franceses típicos, Arthur e Baya são filhos de imigrantes. Os avôs dele eram judeus que sofreram perseguição durante a Segunda Guerra Mundial. Os pais delas são imigrantes árabes.

Quando Os Nomes do Amor usa um tema polêmico em seus momentos cômicos, sempre se foca no estranhamento e incômodo que o assunto causa em seus personagens.

A família de Arthur faz questão de esquecer suas origens hebraicas e campo de concentração é um termo proibido de ser pronunciado na casa deles. Quando era criança, Baya foi abusada sexualmente por um professor de piano. Ela superou o ocorrido muito melhor do que sua família. Por isso, qualquer reportagem televisiva sobre pedofilia causa momentos constrangedores.

A receita cômica do filme se baseia em tirar sarro do medo dos personagens de encararem os fantasmas do passado. Outro ponto positivo do longa está em usar essas e outras questões difíceis para injetar dramaticidade ao enredo.


Nota:

 

Crítica por: Edu Fernandes (CineDude)