Notas sobre um Escândalo

Barbara Covett, veterana professora de História de uma escola secundária num bairro operário, é mais do que uma típica mulher de idade avançada que sofre com a solidão. Ao longo dos anos, a carência afetiva lhe tornou uma mulher austera, amarga e ácida, o que fez com ela criasse uma redoma de ferro em torno de si, dando lugar a sentimentos de dominação e manipulação.

É a partir desse mundo distorcido e particular de Barbara que se desenvolve o drama psicológico do filme inglês "Notas sobre um escândalo", que já está em cartaz no Brasil e recebeu 4 indicações ao Oscar 2007 nas categorias Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz (Judi Dench), Melhor Atriz Coadjuvante (Cate Blanchet) e Melhor Trilha Sonora.

No filme, a vida inossa e sem graça de Barbara (Judi Denchi, que dá um show no papel no qual foi indicada ao Oscar desse ano) sofre alterações com a chegada da jovem professora Sheba Hart (Cate Blanchet, atuação brilhante como sempre, indicada ao Oscar de coadjuvante pelo papel esse ano), que rapidamente aproxima-se dela e em poucos dias torna-se sua amiga e confidente. É aí que mora o perigo, pois a amizade que Barbara oferece a Sheba vai se transformando em uma obsessão doentia, criando um jogo perigoso entre ambas. A situação piora quando Barbara descobre por conta própria que Sheba está tendo um caso extraconjugal (Sheba é casada e tem dois filhos) com um aluno de 15 anos, ou seja: aos olhos da lei, ela pode ser considerada uma criminosa. Sendo assim, Barbara aproveita-se para tirar da vantagem dessa informação, que se vier a tona pode destruir de vez a vida de Sheba.

Um dos grandes trunfos do filme é o seu roteiro, escrito pelo dramaturgo inglês Patrick Marber (que já escreveu "Closer - Perto Demais") baseado no livro "Anotações sobre um escândalo" da autora Zoe Heller, no qual a personagem de Judi Dench vai narrando com muito sarcasmo e acidez os acontecimentos a seu redor, assim como no filme. Marber soube, ainda que resumidamente, trazer tudo isso de forma muito objetiva e sem cair no moralismo barato ou na parcialidade.

O filme é dirigido de forma categórica e segura por Richard Eyre, fotografado com cuidado pelo "oscarizado" Chris Menges (de "A Missão") e com trilha musical bastante dramática, do sempre excelente Philip Glass. O resultado é um filme tenso e bem amarrado que não toma partido de nenhum dos lados e escancara algumas situações delicadas da natureza humana deixando que o público faça seu julgamento moral.

Vale também pelas ótimas atuações de Cate Blanchet e Judi Dench, que dentro de suas respectivas experiências, são duas das melhores atrizes da atualidade.

Nota:
Crítica por: Luiz Antonio
Site Oficial : ---