Podemos dizer que "Notas sobre um escândalo" é um filme de junções: o melhor filme de Judi Dench ("Shakespeare Apaixonado"), Cate Blanchett ("Babel") e do diretor Richard Eyre (que já havia feito os excelentes "Íris" e "A Bela do Palco"). Aliás, com a junção de três figuras tão competentes em um roteiro do mesmo autor da peça que originou o filme "Closer - Perto Demais", não é de se assustar que "Notas..." seja tão bom. Judi interpreta Bárbara, uma amarga professora de história de um colégio mediano dos EUA. Sempre muito só, Bárbara logo se afeiçoa por Sheba (Cate), a nova professora de Artes. Essa afeição inicial que se caracterizaria como uma amizade vinda de uma pessoa solitária para outra que acaba de chegar na escola muda de figura quando somos apresentados ao sentimento amoroso que Bárbara desenvolve por Sheba, vendo nela inúmeras características que a colocam acima da média das outras mulheres com quem convive. 
Em um evento do colégio, Bárbara se depara com o inimaginável: Sheba está tendo um caso com um jovem aluno de 15 anos. O que poderia ser um imenso escândalo, Bárbara usa a seu favor: torna Sheba eterna refém deste segredo, mostrando-a que a única pessoa em que ela pode confiar é nesta velha e amarga professora de história (que relata todos os fatos de sua vida através de notas em um diário, daí o título). Estabelecido isso e tendo como entrave o desequilíbrio emocional da personagem de Cate (aliado a um interesse pelo novo aluno) o filme se desenvolve de maneira exemplar como um intenso jogo de manipulação, onde nunca fica claro quem abusa de quem: seria o jovem aluno da frágil professora? Seria a professora do aluno inexperiente? Ou seria da velha Bárbara abusando das fraquezas de Sheba? Dando um tom perfeito das nuances de cada personagem: Sheba é a frágil e desequilibrada professora. Poderíamos qualificá-la como uma doente por se envolver com um jovem de 15 anos? Ou realmente um interesse mútuo poderia existir ali sem o tom de "abuso"? Enquanto isso Bárbara é um personagem que sempre viveu a margem das outras pessoas, nunca sendo compreendida por sua forma de demonstrar afeto, transformando-se em prisioneira de sua própria necessidade de atenção. Richard Eyre constrói um clima contínuo de apreensão até o clímax primoroso e real, onde leva o espectador a questionar se a opinião pública é realmente justa em escândalos como estes. 
Seguramente, "Notas sobre um escândalo" é o melhor filme de 2006, e sem dúvidas, o mais injustiçado, dando com relação a prêmios ou público nos EUA. Que o público brasileiro desfaça tamanho erro.
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