O Artista
10.02.2012
Rod Carvalho

E não é que os franceses deram mais um olé nos americanos no quesito cinematográfico? Em 1895 os irmãos lumière fizeram a primeira exibição de um filme na primeira sala de cinema do mundo, claro, na França. Agora, mais de cem anos depois, eles voltam a abalar o Tio Sam, com sua queridinha Hollywood, lançando um longa despretensioso, com um orçamento baixo, mas que está vindo com tudo como azarão na disputa do Oscar 2012: “O Artista” (The Artist).

Fazendo uma homenagem aos filmes mudos que conquistavam as platéias no auge das produções cinematográficas americanas da década de 20, o diretor Michel Hazanavicius – sim, ele é francês – resolveu apostar todas as suas fichas produzindo um filme igual aos da época, ou seja, sem cor, sem som. Apenas com uma trilha sonora e cartelas com diálogos resumidos. E, contrariando muitos conhecidos que achavam que ele estava louco, Michel os fez moderem suas línguas afiadas ao se depararem com um dos melhores filmes do ano com direto a tudo que um bom telespectador deseja ver: ação, lágrimas, risos e uma chance de se perder em outro mundo.

Estrelado pelo galã comediante, Jean Dujardin – magistral-, a trama narra a história de um ator famoso, George Valentim, no auge do sucesso, quando se depara com algo inusitado: o início do cinema falado. Fato esse que o deixa em crise e preocupado se irá conseguir fazer o mesmo sucesso de antes tendo que falar e deixar totalmente de lado suas marcas registradas de caras e bocas que o consagraram.
Recheado de cenas clássicas, muitas delas belas homenagens a estrelas da época, além de situações que os cinéfilos irão identificar de imediato, Hazanavicius criou algo único e inesquecível.

Com certeza, já devem ter muitos executivos fritando a cabeça dentro dos estúdios, buscando no fundo da gaveta aquela placa empoeirada deixada pelo seu tataravô com os seguintes dizeres: “Menos é mais”.

Nota:

 

Crítica por: Rod Carvalho