| Momento confissão: depois do decepcionante Cilada.com, prometi que iria sair em busca de uma produção que conseguisse ser uma pior representação contemporânea da linguagem cinematográfica da produção nacional. Eis que encontrei a minha peça tão pouco tempo depois. |
O título do filme traz uma pergunta que ele mesmo não consegue responder. Péssimo uso da metalinguagem: a felicidade, caro espectador, pode estar em um livro de Paulo Coelho, nas histórias vulgares de Bruna Surfistinha ou num encontro espiritualista onde você pode comer, rezar e amar à vontade. A tal felicidade pode estar em qualquer um dos locais anteriormente citados, mas acredite: ela está longe, muito longe, “tão tão distante” deste filme capenga e vergonhoso, protagonizado por Bruna Lombardi e dirigido por seu marido Carlos Alberto Ricelli.

Eis a história: Bruna é Teodora, ou Teo, apresentadora de um programa de culinária afrodisíaca na televisão, chamado "A Receita do Amor". Casada com Nando (Bruno Garcia), um comentarista esportivo com todos os clichês masculinos, ela não se sente valorizada.
Os ecos de Almodóvar estão na composição do cenário, a relação menos compromissada com o esoterismo da parceria anterior (O Signo da Cidade, 2007) e a tentativa de acertar nas bilheterias. Acredito que seja possível vencer a última barreira. A composição do cenário, mesmo que inspirada, não ajuda em nada, seguido da ideia espiritualista que o filme tende a abordar, sem êxito.
Longe de ser uma comédia inteligente, Onde está a felicidade? tem roteiro péssimo e atuações idem. Situações que se esforçam, mas não conseguem arrancar boas risadas. No final da sessão, me perguntei: porque alguns cineastas e executivos envolvidos nas produções de cinema investem tanto em tramas frívolas e sem sentido?

Onde está a felicidade? não serve nem como projeto para final de curso e é, acredite, mais vergonhoso que muitos desses inúmeros vídeos postados no youtube diariamente, que nos fazem rir de forma bem mais satisfatória.