Uma Bahia diferente da vendida para os gringos. Uma Bahia que não é apenas belas praias, belas paisagens, bundas... uma Bahia real. Com essa proposta Monique Gardenberg (de "Benjamin") nos apresenta "Ó Pai, ó", divertida comédia com Lázaro Ramos, Wagner Moura, Dira Paes e Stênio Garcia. O filme não segue apenas uma linha narrativa, mas fragmenta-se em várias pequenas histórias de pessoas em plena terça feira de carnaval no Pelourinho. Tradicional ponto turístico baiano, aqui existe um pelourinho que quem conhece a Bahia sabe que é muito mais verdadeiro. Entre casas simples e pessoas de todos os jeitos, cada um busca a melhor forma de aproveitar seu carnaval no tradicional reduto dos trios elétricos e da axé music. Neste ambiente somos apresentados à Roque, ao aspirante a cantor Roque (Lázaro Ramos), envolto a seu trabalho manual, sua tentativa de se tornar um cantor de sucesso e seu envolvimento com a bela Rosa (Emanuelle Araújo), sobrinha da dona do bar Neuzão (Tânia Toko). Ainda nos mesmos lugares vemos Reginaldo (Érico Brás) com problemas amorosos com sua esposa Maria (Valdinéia Soriano), o trambiqueiro Boca, a vida de Carmen (Auristela Sá), uma mulher que mantém um pequeno orfanato em sua casa e recebe a visita de sua irmã vinda do exterior (Dira Paes)... todos ligados por morarem no mesmo prédio, da rigorosa Dona Joana (Luciana Souza, sem dúvidas, a melhor surpresa do filme). Com um ritmo ágil e com uma brasilidade aflorada, "Ó Pai, ó" vai nos mostrando um retrato não só da Bahia, mas do Brasil: seja na dança, na alegria de viver, na sensualidade, na pluralidade de religiões nos deparamos com o que temos de melhor. |  |
Mesmo sem mostrar um estado vendável, Monique Gardenberg consegue mostrar todas as belezas do Pelourinho, criando ainda mais vontade em quem não conhece de andar por aquelas ladeiras em busca do que vemos na tela. Dispondo de um elenco afiado não temos oscilações, todas as histórias sendo igualmente interessantes (embora a personagem Dona Joana seja de longe a mais interessante). Com seu clímax em uma noite do carnaval, "Ó Pai, ó" só peca por uma tentativa frustrada de despertar uma consciência do problema que é a violência no país. Não que não seja importante tal denúncia, mas apenas com não combina com tudo que o filme mostrou ao longo da projeção. Apesar de tal deslize o filme se encerra deixando no rosto do espectador a mesma feição de quando começa: um belo sorriso e a sensação de que viver no Brasil ainda é muito bom.
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