É mais do que evidente os grandes destaques que o cinema espanhol anda trazendo para as telonas, surpreendendo muitos, nos induzindo a termos outras perspectivas a respeito dessas produções espanholas. Posso citar mais que 2 exemplos de filmes que me surpreenderam, e que até se tornaram meus favoritos, não porque me simpatizo com a língua espanhola, mas sim, porque tais produções esbanjaram competência e originalidade em seus contextos.

O Orfanato, produção com o nome do aclamado Guillermo del Toro incluso, é sim um grande destaque, e alvo de grandes comentários até então. O enredo mesmo não sendo nada inovador, se diferencia em pequenos pontos em relação ao que já andamos vendo sobre casas mal-assombradas. As atuações são firmes e convincentes de suas emoções, e a ambientação é perfeita com uma bela fotografia e uma casa digna de arrepios com seus rangidos.
Eu só não entendi, o porquê de tanto balburdio numa coisa que não tem nada demais além de um bom filme espanhol. Talvez o alvoroço se deu justamente, por ser um destaque espanhol, mas pra mim El Orfanato não passou de mais um filme de suspense com alguma diferenciação ali e outra acolá. A mistura de drama/suspense é algo que eu considero promissor de um suposto bom clima para a trama. Agora fantasia/suspense já foi algo que não me desceu, tanto por tirar o clima de suspense, como deixar uma premissa de algo que não acrescenta nada para o enredo.

A trilha sonora foi o que deixou isso mais claro, com toques de suspense, mas também com tentativas de algo que girava em torno da fantasia. Suspense e fantasia, são gêneros que podem até ser parecidos em certos pontos, mas sua combinação às vezes faz a trama se tornar incoerente e dependendo, sem lógica [falo isso em relação à trilha sonora]. Talvez o toque da fantasia foi o que caracterizou e diferenciou o filme dos outros, mas foi apresentado de uma forma não peculiar ao gênero suspense, deixando essa combinação desnecessária para algo que poderia ser simplesmente, suspense.
Oscilando entre o suspense, o drama e com toques de fantasia, o Orfanato ficou definido pra mim como do gênero suspense, mesmo achando que o drama presente nele deu mais certo que o próprio suspense. As cenas envolvendo tensão foram fracas, com um suspense em um nível que não chegava nem a incomodar.

Pela característica de como o enredo foi se desenrolando, achava que o final seria daqueles surpreendentes, mas não vi nada demais além de um bom final. Não sei se pelo fato de ter demorado muito pra assistir, e vendo os comentários animadores por ai antes de conferir, me fez considerar esse filme nada mais do que - um bom filme. Não sai frustrado do cinema, mas surpreendente já é algo muito além do que O Orfanato poderia ser. Talvez a mensagem subliminar na cena final em que o marido entra na casa desconsolado, acha o colar da esposa no chão, e a porta se abre para ele, tenha feito meus conceitos subirem um nível no quesito desfecho.