Existe uma grande expectativa em torno desta nova versão do clássico de humor A Pantera Cor-de-Rosa. De um lado, aqueles que assistiram aos filmes dos anos 60 e 70 devem estar se perguntando se o novo exemplar será tão engraçado quando os estrelados por Peter Sellers. De outro, quem nunca viu os longas originais, vê no remake a chance de descobrir o que este título tem de tão especial. Para ambos os públicos, porém, a resposta não será das mais satisfatórias. A despeito de todo o suspense em torno da produção, este A Pantera Cor de Rosa não passa de uma comédia das mais medianas. Ou seja: tem seus momentos engraçadinhos, e só. 
O filme traz novamente à ativa o inspetor Jacques Clouseau (Steve Martin, em atuação exagerada, à la caras e bocas) que justamente por ser atrapalhado, foi escolhido pelo chefe (Kevin Kline, este sim, bem) para solucionar um assassinato e o roubo de uma jóia preciosa. O objetivo do chefe é que o subordinado se dê mal e, assim, ele mesmo possa solucionar o mistério, colhendo os louros. Em sua missão, Clouseau investigará, entre outros, a namorada do morto, interpretada aqui pela cantora Beyoncé Knowles (em atuação apagada) e contará com o auxílio de seu fiel escudeiro (papel de Jean Reno) e de sua devota secretária (Emily Mortimer, também em cartaz em Ponto Final, outra estreia). 
A partir daí, dá-lhe trapalhadas mil baseadas em um já datado tipo de humor físico, comum aos filmes originais da antiga cinessérie. O problema é que hoje, convenhamos, quase ninguém mais ri só por que alguém leva um tombo na escada ou é perseguido por uma bola gigante. Mas o filme também tem lá suas sacadas. Em uma delas, por exemplo, o ator Clive Owen, que chegou a ser cotado para ser o próximo James Bond nos cinemas (e não ficou com o papel), interpreta o agente 006, um bom espião, mas não bom o suficiente para receber o número do amigo mais famoso. Há também a melhor piada do remake, esta reservada para o final: a forma como Clouseau chega ao momento da verdade e desmascara o assassino é hilária. O desfecho é uma pista de como todo o filme poderia ter sido muito mais divertido se tivesse investido em um humor mais cerebral. Não o fez e, pena, perdeu sua chance de encantar novas gerações. |