Difícil por em palavras o quanto eu me decepcionei com este filme. Sendo Tom Tykwer (do ótimo "Corra Lola, Corra") o diretor de "Paraíso" e Cate Blanchett e Giovanni Ribisi os protagonistas, era ao menos natural esperar por um bom filme . Lógico que eu não esperava por nada parecido com Lola (ainda mais sabendo que o roteiro de "Paraíso" é do falecido cineasta polonês Krzysztof Kieslowski - diretor da trilogia das cores - daí já imaginava que o novo filme de Tykwer poderia pender para o cinema de arte). O prólogo de "Paraíso" é genial, e até uns 20 minutos, mais ou menos, o filme caminha rumo a excelência, mas de repente a coisa desanda de uma maneira que em alguns momentos fica difícil não cair na risada. A história é de uma improbabilidade total, completa e absoluta - não dá pra acreditar em nada.  | "Paraíso" se passa na Itália e conta a história de Philippa Paccard (Cate Blanchett), uma mulher que inadvertidamente mata quatro pessoas e é presa. Na prisão ela encontra o policial Filippo (Giovanni Ribisi), que se apaixona por ela e decide tirá-la de lá. - Blá, blá, blá. A partir do momento em que Philippa foge da prisão o filme caí num espiral sem fim de tédio e idiotices múltiplas. Admito que da fuga em diante "Paraíso" ainda tem algumas belas cenas (os campos da Itália por exemplo), mas nem essas cenas, nem os ótimos primeiros minutos do filme valem o ingresso do cinema. |
"Paraíso" é repleto de um simbolismo chato (já se percebe isso pelos nomes dos personagens) - a cena em que Philippa e Filippo se tornam um casal idêntico (capilarmente falando) é de uma bobeira absoluta e se ainda restava alguma esperança de pelo menos assistir a um bom desfecho, dali em diante não dá mais pra esperar por nada. A mediocridade do filme não se deve a Tom Tykwer (o filme não é mal dirigido), "Paraíso" é ruim porque o roteiro é uma coisa absurda, é uma história de amor que mais parece ficção científica, simplesmente não dá pra comprar a história de Kieslowski (tem quem acredite que o que se vê na tela não seja o roteiro final do falecido diretor). Não classifico "Paraíso" como filme de arte, trata-se de um filme ruim e pronto. Mas ele tem lá seus fãs, gente que inexplicavelmente vê arte e maestria em uma bobeira sem sentido.
|