| O novo longa do cineasta espanhol Pedro Almodovar, é - definitivamente - um marco na sua filmografia. Arrisco dizendo, que é o divisor de águas e marca uma nova fase do diretor. Assim como Fale com Ela e Tudo Sobre Minha Mãe, foram filmes importantes na carreira dele; este será também. |
Uma dica para os espectadores que ainda não viram o longa, fiquem longe de resenhas, críticas, matérias... tudo sobre o filme. Já li alguns com spoilers disfarçados. E não se preocupem , que nesta crítica não haverá informações sobre o enredo. Para vê-lo, não se pode suspeitar da ação e motivação dos personagens. E chega de falar sobre a trama.
Voltando ao primeiro assunto: sim, esta produção é especial. Almodóvar mostra que pode se reinventar; pode ser mais que drogas, travestis e vermelho e que tem um lado obscuro. Até hoje, era como se ele tivesse um grande dicionário de personagens e ações , que consultava para criar seus roteiros com tramas passionais. As mulheres cuspiam fogo de todas as formas, os homens eram – em geral – secundários , as cores sempre fortes, os closes , os decotes, e tudo sempre à beira de um ataque de nervos. Algo interessante é a criação de seus personagens, e o agir ‘como se fosse o último dia‘ tornava tudo tão direto e sincero. Era como naquele ditado “Aqui se faz aqui se paga”.
Por que falar sobre isto? Pois tudo isso perde o volume (sempre out loud) em A Pele que Habito. Não que o cineasta tenha esquecido de sua identidade, mas ele torna estas e outras características de seu cinema mais obscuras e densas. “Aqui se faz , aqui se paga” dá a vez a “a vingança é um prato que se come frio”. As cores estão presentes, mas no lugar do vermelho, o azul – em todas as suas formas e tons -. E como todos sabem, vermelho exprime paixão, fogo e é uma cor quente, como nos longas do diretor; já o azul, traz frieza, tristeza ou como os americanos dizem do estado de sadness “blue”.
As mulheres do filme , bem... temos Marisa Paredes menos diva e mais mulher. Antonio Banderas é o personagem principal, mas nem por isso ele é o mocinho (ops!). E como era pra ser, temos os closes, os decotes e o flashback. E é num flashback que o autor/diretor/roteirista/cineasta/Almodóvar conta a sua história. E como em seus filmes, ele inicia contando algo, que inicialmente não interessa aos espectadores, mas que no final .... Enfim, prestem bastante atenção em todas as pistas deixadas por ele.
A Pele que Habito é um outro Almodóvar, em um outro momento, e que possivelmente mudará sua escrita. Depois deste filme, não tem como o diretor retornar às suas raízes a La movida madrileña. Ao mesmo tempo em que demonstra que se pode mudar de gênero e inovar sua identidade sem perder sua essência.
Uma dica: vá ao cinema de mente aberta.