O amor pode ser o mais nobre dos sentimentos, mas também pode mover uma pessoa a cometer atos insanos ou até assassinatos em seu nome. Com Jean-Baptiste Grenouille o segundo caso é aplicado. Dono de um olfato apurado, péssima aparência e de poucas falas ele vê nos cheiros o sentindo de sua existência, já que vive uma vida miserável e de poucas alegrias. Grenouille é o personagem de Perfume - A história de um assassino (2006), adaptação do diretor alemão Tom Tykwer do livro homônimo de Patrick Süskind. O filme se passa na França do século XVI e retrata toda a sujeira das ruas de Paris, a nobreza rica e a população pobre. Jean-Baptiste nasceu no meio de uma feira de peixes, o lugar mais fedido de Paris. Ao sobreviver passa a infância em um orfanato e depois vai trabalhar com curtume. Ele é visto de modo diferente pelas pessoas, pois não possui nenhum tipo de odor, mas é capaz de sentir e diferenciar todos os cheiros do mundo. Grenouille é movido pelo olfato a fabricar uma essência única feita a partir de belas jovens virgens. E para conseguir chegar ao seu objetivo não medirá esforços, espalhando assim o terror pela França. 
Tykwer seguiu a risca o livro e conseguiu transformar toda a beleza e crueldade em cenas ricas de significação. Toda a sujeira de Paris, os campos do interior são retratados com bastante realismo pelo diretor. Acompanhar a jornada de Grenouille ao alcançar seu objetivo nos faz aproximar dele e com isso ganhamos simpatia por ele, assim como acontece às pessoas ao sentirem seu perfume. Essa paixão que as pessoas conseguem sentir quando se aproximam dele que é bem retratada no livro faltou ao filme. Tykwer deixa para o final a grande descoberta o que gera um pouco de confusão e estranheza ver todas aquelas pessoas caídas aos pés de Jean-Baptiste. Mas teve uma decisão acertada ao retirar a história de um cientista que consegue provar sua teoria ao encontra Grenouille, após viver sete anos em uma montanha. 
O diretor ainda pôde tratar do seu tema preferido a busca pelo amor. Tykwer já havia explorado o tema em outros trabalhos (Corra Lola, corra (1998), A princesa e o guerreiro (2000) e Paraíso (2001)). Em Perfume podemos acompanhar a capacidade que o amor tem de manipular e comandar as pessoas, fazendo assim desse sentimento algo mais valioso que dinheiro e poder. E ao perceber isso Jean-Baptiste toma sua decisão final quanto ao seu próprio destino. Nesse longa o diretor pôde usar toda a sua paixão pelo gênero do horror (os vermes devorando um rato e a feira de peixes). Beleza e feiúra andam de mãos dadas, pelo menos para Tykwer, ele junta em uma mesma seqüência os dois sentimentos. Grenouille cheira um rato morto igual cheira a um perfume, mas a sua expressão de felicidade transforma o ato de sentir belo, mesmo algo repugnante como o suor e o já citado rato. A câmera passeia pelas descobertas que são feitas pelo perfumista, ao sentir pedras, águas, sapos e ervas. Perfume pode causar uma certa estranheza em algumas pessoas, principalmente, as que vão ao cinema achando que se trata de um filme de assassinatos ou sobre perfumes. O que vale mesmo é a experiência visual, as descobertas e a busca pelo amor. Busca essa incansável por Tom Tykwer e frustrante de Jean-Baptiste Grenouille. |