CONTÉM SPOILER!!!
“Planeta dos Macacos: A Origem”, em tese, busca dar uma explicação para o mundo que assistimos no filme original de 1968. Mas essa intenção é “só pra inglês ver”. O primeiro filme já fornecia uma resposta eficiente e impactante.
Ao tentar reinterpretar, “Planeta dos Macacos: A Origem” acaba sendo um simulacro. Primeiro, porque as novas respostas não têm nenhum impacto, ao contrário do original. Segundo, porque o desejo da produção é apenas reativar uma série de sucesso, provavelmente, fazendo nova trilogia. Mas, isso não justifica a falta de vontade do roteiro.

Não vemos em nenhum momento um desejo de utilizar a metáfora do domínio dos macacos sobre os humanos para discutir qualquer angústia atual. A manipulação genética não causa incômodo, nem se quer uma reflexão isolada. Não há nada nas personagens da empresa de engenharia genética que nos remeta para fora da sala de projeção e, assim, pensarmos nos problemas éticos/morais dessa atividade.
Aquela sensação de impotência diante de um mundo dominado pelos símios, tão marcante no original e, até mesmo, na versão de Tim Burton, aqui está depositada na copa de uma árvore tão alta que se perde das nossas vistas. De certa forma, porque é uma história de ascensão. A impotência, em boa parte do filme, está nos macacos. Mas, nem todo o realismo de Caesar é capaz de reproduzir essa sensação. Nem na parte final, quando vemos a revolta dos macacos, a direção consegue isso.
Um amigo jornalista chamou minha atenção para o emburrecimento dos homens: não bastam macacos inteligentes e fortes, é preciso enfraquecer o homem (o vírus) e destacar sua porção mais idiota (na briga, sempre os caras farão algo estúpido!). Coloca-se a burrice no lugar da estupidez humana, sugerida no final do filme original.
Calma lá, a intenção não era criar uma nova franquia e encher as salas de cinema? Por que se preocupar com esses detalhes de enredo?

Pela perspectiva exclusiva do bluckbuster, “Planeta dos Macacos: A Origem” entrega o que prometeu: um filme pipoca que prende sua atenção. Ele consegue proporcionar boas horas de diversão, com atuações competentes, roteiro funcional e um trabalho de CGI impressionante. O realismo dos macacos é inacreditável. E Andy Serkis + equipe de efeitos conseguem dar um ambiguidade para Caesar que já vale o ingresso.
Se apenas isto interessa, o filme é nota dez. Porém, até os bluckbusters podem (e devem) trabalhar bem seus roteiros. Podia, como este fez o primeiro, ter tocado nossos medos e angústias. Ao invés da forma burocrática, a questão genética poderia causar comichão semelhante ao problema nuclear, em 1968. “Planeta dos Macacos: A Origem” só ganharia com uma história à altura da original.