Ponyo – Uma Amizade Que Veio do Mar


Hayao Miyazaki é o grande mestre da animação japonesa. Seus filmes são cultuados pela crítica e fazem sucesso com o público do mundo inteiro. Mas vai entender o que se passa na cabeça dos distribuidores dos seus filmes no Brasil...

Dos seus filmes mais recentes, A Viagem de Chihiro só entrou em cartaz depois de ser indicado a algumas dezenas de prêmios mundo afora; O Castelo Animado demorou ainda mais e limitou-se ao circuito alternativo; e Ponyo – Uma Amizade Que Veio do Mar, aplaudido em Cannes 2008, só agora chega aos cinemas nacionais, com dois anos de atraso. E reparem: todos eles fizeram no mínimo US$ 200 milhões nas bilheterias e foram aguardados com ansiedade pelo público brasileiro, que sempre os recebe muito bem.

Ponyo é uma peixinha-dourada, encontrada por Sosuke na beira-mar, que corta o dedo, mas é curado por uma lambida da Ponyo. Os DNAs se misturam e Ponyo passa a ter a capacidade de tornar-se menina. O problema é que ela é filha de um carrasco dos mares e possui poderes que podem desequilibrar as relações entre os humanos e os seres do mar. Mesmo assim, a amizade que florece entre Ponyo e Sosuke é tão forte que eles farão de tudo para ficar juntos.

Esperto e apaixonado por crianças, Miyazaki entrega seu filme mais infantil e tão inteligente quanto os outros, conseguindo universalidade sendo regional. Ele utiliza a cultura japonesa com sabedoria , bom gosto e toda a criatividade que lhe é característica.

O surrealismo é presente, para criar um mundo de criança, ou seja, um mundo onde tudo é permitido, da maneira mais ingênua possível.

A técnica de animação aproxima-se mais da simplicidade de O Reino dos Gatos do que do rebusco de A Viagem de Chihiro, mas nem por isso deixa de ser encantadora, assim como seus personagens centrais, dóceis e dublados com imensa dose de fofura.

Ponyo – Uma Amizade Que Veio do Mar não possui a genialidade que o diretor vinha demonstrando em seus últimos filmes, mas tem conteúdo, é divertido e altamente recomendado para todos os públicos.

Tomara que seja bem recebido pelos brasileiros e que, numa próxima, possamos nos deleitar com uma obra do Myiazaki na mesma época que o resto do mundo.

 

Nota:
Crítica por: Fred Burle (Fred Burle no Cinema)




 


 

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