A Profecia

Não há como deixar de questionar: por que o diretor John Moore (O Vôo de Fênix) decidiu refilmar “A Profecia”, clássico de horror de 1976, adotando os mesmos moldes (e recorrendo ao mesmo roteirista) do filme original, feito por Richard Donner? A objetivo talvez tenha sido o de não correr riscos e, ainda assim, atrair o público mais jovem que não pôde ver o filme original nas telonas há 30 anos. Mas, praticamente, todos não o viram na TV, em VHS ou no box de DVDs lançado há pouco tempo com toda a trilogia?

Independente da resposta, ao menos uma notícia é boa: a nova versão é tão empolgante quanto o filme original: tem o mesmo clima de suspense, a mesma história intrigante e as eficientes cenas de ação e de mortes trágicas. Ficou devendo apenas mais ousadia.

Por outro lado, esta falha é compensada pelo elenco legal, com destaque para Mia Farrow (do clássico O Bebê de Rosemary), como a babá – e guardiã – do pestinha Damien, Julia Stiles (A Identidade Bourne) e Liev Schreiber (Sob o Domínio do Mau) como pais postiços do garoto, e David Thewlis (Instinto Selvagem 2) como o fotógrafo Jenings, em cujas fotografias são revelados os infelizes destinos dos personagens do filme.

A decepção fica mesmo para a escolha do menino Seamus Davey-Fitzpatrick como o novo Damien. Prejudicado pelo roteiro ingrato - no qual praticamente não tem a chance de dizer uma frase inteira e, mesmo assim, tem de fazer cara de enigmático e mau o tempo todo - o ator-mirim ainda sai perdendo feio na comparação como o intérprete de trinta anos atrás, muito mais convincente e natural.

Um dos aspectos mais curiosos do filme – mas não o suficiente para fazer alguma diferença real na obra – é atualizar os sinais da chegada do anticristo à Terra: aqui as tragédias mostradas vão da queda das Torres Gêmeas ao tsunami que matou centenas de milhares de pessoas Tailândia. Difícil mesmo será o espectador que vir este remake esperar alguns anos para assistir aos novos A Profecia 2 e 3.

Quem não quiser correr o risco de ver mais duas “xerox” das obras originais, pode passar agora mesmo na locadora e saber (ou relembrar) como termina a trama.

 


Nota:
Crítica por: Edson Barros
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