'Proibido Proibir', novo longa do diretor chileno radicado no Brasil Jorge Duran tem uma premissa interessante: Paulo (Caio Blat) é estudante de Medicina divide apartamento com Leon (Alexandre Rodrigues), seu grande amigo, apesar das aparentes diferenças de comportamento e personalidade Enquanto Leon é uma pessoa preocupada e engajada com os problemas sociais do páis, Paulo parece muito mais preocupado com sua diversão, no mais amplo sentido da palavra.. Leon namora a bela Letícia (Maria Flor), que difere-se dos dois amigos por ser de classe média, enquanto Paulo e Leon literalmente contam as moedas para pagar o aluguel. Durante uma aula de seu curso, Paulo conhece Rosalina (Edyr Duqui), uma paciente terminal que sente falta de sua família, que não tem notícias desde o momento de sua internação. O trio decide então reunir esta família, e mergulham em um universo problemático de perseguição policial e preconceito contra as camadas mais pobres ao mesmo tempo em que existe um interesse mútuo entre Paulo e Letícia. 
Vale destacar no filme o bom trabalho apresentado por Caio Blat: cada vez mais envolvido com o cinema nacional, o ator consegue dar à Paulo toda jovialidade e vitalidade necessária, sendo o que há de melhor no triângulo. Maria Flor e Alexandre Rodrigues se esforçam mas além das atuações extremamente fracas, estão presos à um roteiro que a cada segundo se afunda mais nos clichês do gênero. O roteiro aliás, é o tema mais problemático do filme, estabelecendo diversas histórias sem conseguir o mínimo de aprofundamento em nenhuma. Alexandre Rodrigues, após uma atuação arrebatadora em 'Cidade de Deus' nos entrega um personagem panfletário, que sempre abre a boca com um discurso pronto (e raso) sobre a situação do país, as dificuldades de ser negro, a realidade nas favelas... Maria Flor, que vive o personagem feminino deste triângulo interpreta uma Letícia sem sal, sem graça, que em momento algum consegue transparecer qualquer atributo que fizesse com quem dois amigos tão unidos pudessem colocar uma amizade em risco por uma mulher. Tentando mostrar paralelamente um projeto que alia futebol e escola e a dificuldade dos filhos de Rosalina na favela, 'Proibido Proibir' vai se perdendo na ausência de foco. Ao mesmo tempo em que não consegue apresentar bem seus personagens - a química entre Leon e Letícia nunca funciona, bem como a interação para o início de uma relação entre ela e Paulo - o filme também fica raso na tentativa de desenvolver e inquietar o espectador sobre os problemas sociais no Brasil. Com diálogos parecendo saídos de algum discurso pronto de 'Malhação', o roteiro limita uma história que, em sinopse, poderia ser um bom retrato da imersão de três jovens no reconhecimento do amor e crises em relações até então bem estabelecidas. O tom de crítica fica desproposital; cinema é sim local para discussão e inquietação com a realidade, desde que bem colocado na narrativa. Aqui, não é o caso. Confira Jogo Rápido com a atriz Maria Flor. |