Sandra Bullock fez as pazes mais uma vez com as bilheterias, após dez anos da estréia de maior sucesso na sua carreira: Miss Simpatia (2000). Mas no caso do filme A Proposta, não foi só o sucesso nas bilheterias mundiais que deram ao filme o reconhecimento necessário: a atriz veterana das comédias românticas exala charme e beleza, combinados a uma atuação na medida certa, sem os exageros que papéis do tipo submetem certas atores. Ryan Reynolds (de Horror em Amyntiville) também esta numa das suas melhores incursões no gênero.

Em A Proposta, temos um prólogo semelhante ao do excelente O Diabo veste Prada: Sandra é Margarett Tate, a terrível chefe de uma editora, que vive tocando o terror com seus funcionários. Quando a poderosíssima editora de livros Margaret (Sandra Bullock) se vê diante da deportação para o seu país de origem, o Canadá, a executiva de raciocínio rápido declara que na verdade está noiva de seu desprevenido e injustiçado assistente Andrew (Ryan Reynolds), que ela atormenta há anos. Ele concorda em participar da farsa, mas com algumas condições. O casal viaja para o Alasca para conhecer a excêntrica família dele e a "garota-da-cidade-sempre-no-controle" se vê em diferentes situações cômicas. Com o casamento improvisado sendo organizado e o oficial de imigração atrás deles, Margaret e Andrew relutantemente seguem seu plano, apesar das conseqüências.

É óbvio que A Proposta é um filme comum, mais uma das comédias românticas disponíveis diversas salas de cinema do país. O que faz o filme ganhar mais importância é a forma como a típicas piadas grosseiras foram aniquiladas do roteiro, fazendo-nos rir de situações realmente cômicas e não de deficientes físicos, mentais e constrangimentos sexuais que o cinema hollywoodiano nos insiste em apresentar. Esse foi o grande trunfo do filme Miss Simpatia, que se repete agora sob a direção de Anne Flacther, conhecida no mundo do cinema por sua carreira de roteirista.

No final das contas, A Proposta é uma comedia romântica acima da média, com excelente elenco de apoio e ainda traz uma belíssima fotografia. A trilha sonora acompanha o enredo e atriz que interpreta a avó do Ryan Reynolds é um capítulo a parte: engraçadíssima. Mesmo que seja um divertimento ligeiro, aceite a proposta e veja o filme. Gargalhadas garantidas. E não vá com muita pretensão: comédias foram feitas para rir e essa é a idéia central do filme. Não espere nenhuma critica social ou analise profunda do ser humano. É entretenimento puro e qualquer coisa com a Sandra Bullock já vale o ingresso.