Antes de começar a escrever sobre Quarentena, acho que é inevitável ressaltar que após ver o seu original [REC] e de saber que haveria uma refilmagem para o mesmo, a opinião de que essa seria uma das mais desnecessárias refilmagens já feitas pelos americanos, foi evidente. É mais que visível! Sublinhe, deixe em itálico e em negrito a palavra desnecessário. Uma coisa sem total fundamento que só confirmou o que muita gente já tinha certeza: os americanos realmente têm preguiça de ler legendas, e parece que enquanto um filme não é produzido em Hollywood, ele não é considerado [por eles, somente por eles claro!] um filme de verdade.
Não adianta ficar aqui falando sobre a indignação que isso causa. Mesmo porque, já sabemos que isso não é de hoje. E que a cara de pau deles já passou dos limites a tempos. O que não posso deixar de prolongar aqui, é uma comparação entre as duas produções, que cá convenhamos, não possuem lá muitas diferenças.

Fui conferir Quarentena já sabendo que iria ver algo que não causaria nada em mim a não ser indignação. Sinceramente, o que me levou ao cinema talvez tenha sido apenas a vontade de ver novamente e em outra versão algo que eu gostei tanto e que considero hoje, um dos melhores filmes no gênero horror de todos os tempos: [REC]. E sim, eu vi um [REC] com mudanças, com acréscimos aqui e cortes ali. E antes de mais nada, friso que, NADA poderia superar o que [REC] nos apresentou. Isso é fato! E antes mesmo de conferir Quarentena já tinha certeza disso.
Quarentena acrescenta, Quarentena retira, e nada que John Erick Dowdle fizesse na direção poderia superar o que Jaume Balagueró e Paco Plaza nos apresentou. Mesmo porque, o mérito é deles, e somente deles. Quarentena foi feito só para, ao menos, divertir quem ama [REC]. Nada mais! Suas diferenças em nada fez melhorar, pelo contrário, ou ficou igual ou pior.

Porém, também não posso deixar de citar os pontos bons que consegui [sim, eu consegui] ver em Quarentena. Apesar de ser o que é, uma cópia sem vergonha, esse filme apresentou algumas coisas que em [REC] não se encontra, e que apenas por isso, não me fez sair do cinema revoltado, mas sim, até com vontade de ver de novo. Alguns detalhes. Algumas cenas diferentes. Coisas que mesmo sendo uma cópia modificada do original vão me fazer ter os dois filmes aqui em casa, mas claro! Somente [REC] com lugar na cabeceira.
Como imaginava, a atuação de Jennifer Carpenter faria a diferença em Quarentena, e mesmo muitos podendo achar forçada, eu achei o ponto que me fez sentir a aflição que eu não havia sentido em [REC]. Manoela Velasco é excelente em seu papel! Mas a Ângela de Jennifer me mostrou realmente o estado que uma pessoa fica numa situação como aquela, me fazendo roer a única unha que sobrou na mão após ver [REC]. O estado de nervos, a respiração pesada que só ela sabe fazer [e que por sinal, me lembrou muito O Exorcismo de Emily Rose], suas expressões faciais e seu estado histérico, incrementou um clima que já era perfeito e assustador.
Outro ponto a ser ressaltado, que irá parecer ridículo mas de muito sentido, é o título. [REC] ressalta que independente de qualquer coisa, nunca deixe de gravar. Quarentena faz você sentir o clima que o próprio nome já diz. Com a ajuda da trilha sonora, em que um helicóptero e sirenes soam a todo o momento do lado de fora do prédio, faz o filme ser caracterizado diferenciadamente.

O roteiro com suas modificações em relação ao original, erra feio em alguns quesitos, tenta acrescentar [e também retirar] coisas e acaba deixando furos, tornando a trama algo totalmente mal fundamentada. Prefiro nem me aprofundar muito sobre o pior erro de Quarentena a falta do clima realista que em [REC] é presente. Isso sim, chega a irritar! Quarentena retirou o que [REC] tem de melhor que é o realismo. O porque disso: Em [REC] você vê pessoas ali. Em Quarentena você vê atores.
Acho que se não fosse a atuação da Jennifer e algumas cenas diferentes aqui e ali, a revolta viria à tona. Mas são essas pequenas coisas que fizeram de Quarentena um filme até divertido pra mim, divertido pelo fato de fazer eu rever com diferenciações algo que aprecio. É uma sensação parecida a quando aquele seu desenho preferido vira filme, ou quando aquele livro que você é fã vira uma adaptação cinematográfica. É mais ou menos isso como encarei Quarentena. Desnecessário, porém por sua inferioridade, apenas ressaltou ainda mais como o seu original é excelente.