Querido John


Já na primeira cena de Querido John dá para perceber quem será o grande nome do filme. Musculoso, bonito, cativante e com um ar de homem sério, Channing Tatum observa a moça loira que conversa com os amigos. Mesmo com os olhos gigantes de Amanda Seyfried e seu cabelão loiro, ela não é páreo para Channing, o John do título. O rapaz é canditadato fortíssimo a novo Brad Pitt, mesmo já tendo 30 anos - um rostinho de 23 e um corpão de 18.

Channing é a razão de qualquer mulher, mesmo as menos românticas como eu, manter os olhos abertos ao longo de Querido John. O longa, baseado no best-seller do escritor norte-americano Nicholas Sparks, e dirigido pelo ótimo Lasse Hallström (Minha Vida de Cachorro, Sempre ao seu Lado, Chocolate, Regras da Vida), é uma história de amor açucarada, daquelas que arrancam lágrimas com facilidade dos mais sensíveis. Para aqueles que, como eu, não choram à toa, o filme pode surpreender porque, por incrível que pareça, não é tão ruim.

Sparks escreve seus livros sempre da mesma forma: o amor deve ser testado por uma grande tragédia e o casal vai perceber que a paixão supera tudo, porém, por terem feito escolhas erradas, pode ser tarde demais para esse amor dar certo. Querido John não foge disso.

John Tyree (Channing Tatum) e Savannah Curtis (Amanda Seyfried) se conhecem e se encantam à primeira vista - ou à primeira cena, como preferirem. Ele é um soldado em licença de duas semanas que pega onda em uma pequena praia onde foi criado. Ela é uma estudante altruísta incapaz de falar um palavrão e que está de férias na mesma pequena praia. O destino e as ondas do mar unem o casal, mas a separação é inevitável. Depois de 15 dias de juras de amor, o belo John voltará para a Alemanha, onde está a sua tropa, e Savannah para a faculdade.

Como o rapaz deve concluir o serviço militar em um ano, Savannah sugere que eles continuem se correspondendo, a princípio por e-mail. Mas o fofo John nunca sabe onde estará, então eles passam a trocar as velhas e boas cartas de amor. Ele volta para casa no tempo previsto, porém, para passar apenas 18 horas. Os EUA vivem o pós 11 de setembro e o idealista John resolve se realistar - aí ele parece um personagem de Guerra ao Terror, um típico soldado viciado em guerra, aquela coisa bem americana mesmo.

Savannah, indignada, não sabe se aguentará mais dois anos sem o seu grande amor. Ela literalmente se entrega ao amado John, mas não tem muita certeza se este romance vai sobreviver a tudo. É aí que a moça resolve fazer a escolha que mudará não só sua vida mas, claro, a do queridíssimo John. E as consequências desse ato é o que conduz os intermináveis 105 minutos do filme.

Mesmo procurando ser fiel ao texto de Nicholas Sparks, Hallström não conseguiu manter o final proposto inicialmente e que era mais próximo do desfecho do livro. Agora o que temos é uma versão que faz o espectador feliz, e não a realidade cruel de Sparks. Vai agradar as mulheres que acreditam no amor, mas deixa aquela sensação de drama romântico da vez, sem nada a acrescentar. A não ser, é claro, pela escolha de Channing Tatum como protagonista. Ele é muito mais do que um querido John: é um maravilhoso John.

Nota:
Crítica por: Janaina Pereira (Cinemmarte)