[REC]: Possuídos


O medo de que continuações estraguem a imagem boa que temos de determinados filmes sempre toma conta quando os produtores anunciam que aquela história pode virar franquia. Felizmente, de uns tempos para cá, a exigência de haja um mínimo de decência nos roteiros dessas continuações têm impedido algumas catástrofes.

Depois de ceder os direitos para uma refilmagem infame em Hollywood (denominada Quarentena), os diretores e roteiristas de REC (o original espanhol), Jaume Balagueró e Paco Plaza resolveram tentar fazer desta sequência o mesmo sucesso que fizeram em 2007... e conseguiram.

O filme se passa no mesmo prédio em que um vírus havia tomado conta dos moradores e transformado-os em uma espécie de zumbis possuídos pelo demônio. Inicia-se logo depois do término da primeira parte.

Um grupo de policiais, acompanhado de um suposto agente do ministério da saúde, entram no prédio lacrado para tentar resolver o mistério que o ronda e retirar de lá possíveis sobreviventes.

O tal agente é aquele conhecido perfil de personagem que possui informações privilegiadas e que obviamente não as fornecerá com facilidade, causando revolta naqueles que o acompanham. Um figura batida e de interpretação sofrível, pelo ator Johnattan Mellor.

Assim como no primeiro, a equipe técnica transforma-se em personagem, um recurso necessário, já que vários personagens carregam câmeras, na intenção de fazer um registro para posteriores estudos. Esta presença de mais que uma câmera possibilitou uma maior variedade de ângulos e subjetividades, além de proporcionar recursos de montagem do filme, que conferiu maior dinamismo e até mesmo uma não-linearidade advinda do surgimento bem sacado de outros personagens.

Mais zumbis e mais ação e sangue do que na primeira vez, REC: Possuídos calca seus argumentos numa trama que envolve satanismo e rituais de exorcismo, que sempre rendem assunto no cinema e que neste caso soaram coerentes, já que este era um assunto que o primeiro já havia iniciado uma abordagem. Não há nesta sequência a mesma angústia gerada pelo primeiro, pelo fato de que neste, o espectador já sabe mais ou menos o que está acontecendo. Mas a tensão - resultado da falta de trilha sonora e da pouca visibilidade, com propositais problemas nas lentes das câmeras ou problemas no som - de que a qualquer momento novos zumbis podem surgir e a curiosidade de saber como a história terminará permanece.

Tudo isso poderia ir por água abaixo se o desfecho não fosse bom, mas ele satisfaz e aponta para uma outra sequência, que pode ser muito boa, mas que também pode perder o brilho que a linguagem dos planos subjetivos deu às duas primeiras partes. É esperar para ver.

É bem verdade que REC: Possuídos não possui o mesmo tom de inovação do primeiro, mas continua com a mesma inteligência e suspense de arrepiar.

 

Nota:

Crítica por: Fred Burle (Fred Burle no Cinema)


 


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