O drama francês O Refúgio (Le Refuge,2007), de François Ozon, inicia com um casal que é o retrato da juventude classe média alta de boa parte do mundo. Sustentados pelos pais e com fácil acesso à bebidas, drogas e diversão, ambos são dominados pelo uso da cocaína.
Mousse (Isabelle Carré) e Louis (Melvil Poupaud) são namorados e viciados na droga. Certa manhã, após aplicações abusivas em todas as veias possíveis, Louis morre de overdose. Mousse descobre estar grávida e, para fugir da família do namorado e de um aborto, vai para uma casa longe de Paris. Um tempo depois, o irmão de Louis a encontra e resolve ficar ao lado dela. Eles desenvolvem um relacionamento de afeto, descobertas, angústias e superações. Um filme que lentamente envolve o espectador e no qual todas as aflições podem ser captadas de maneira sutil e não menos surpreendente.
Características que complementam na tensão do longa são atuação e direção. As tomadas são bem elaboradas e auxiliam no contexto, como a segmentação da imagem quando são filmados cômodos separados em uma casa ou mesmo cenas sem fala e com blackouts propositais. O constante uso de claro/escuro também ajuda na composição do roteiro, mas, principalmente detalhes como sonhos significativos e simbologias transformam lugares comuns em peças essenciais para a compreensão do enredo.
A demonstração de um relacionamento totalmente baseado na droga, o que é provado em cenas em que o prazer de estarem dividindo uma cama está no uso mútuo da cocaína e não nos beijos, a pureza da gravidez na nudez refletida em espelhos ou ao boiar no mar, a casa como um refúgio e o abandono da criança, depois do nascimento, são enlances de uma trama tensa e humana.