Resident Evil 4: Recomeço


Sinopse: Em um mundo devastado por um vírus mortal, Alice continua sua jornada para encontrar e proteger os poucos sobreviventes que restaram. Lutando contra a Umbrella, a guerra se torna mais violenta e ela recebe ajuda inesperada de uma velha amiga.

Os fãs dos games ‘Resident Evil’ não aceitam o fato da protagonista da franquia cinematográfica ser uma personagem criada apenas para os filmes. Antes de tudo, trata-se de uma adaptação, o que permite a criação e inserção de personagens e elementos que não estavam na trama dos jogos.

Analisando ‘Resident Evil’ como filme, nesta quarta edição, podemos perceber que a protagonista vivida por Milla Jovovich é um dos maiores acertos da produção. A atriz conseguiu evoluir a cada filme, e neste se torna um dos melhores pontos de uma produção que apela para a ação na tentativa de mascarar o roteiro.

Mesmo criticado pelos jogadores, o primeiro filme foi o melhor até o momento. Misturando um roteiro mais elaborado, com uma boa dose de suspense e algumas cenas de ação, tratava-se de um suspense com zumbis. Os personagens tinham suas motivações expostas, e cada um deles era trabalhado para que houvesse, ou não, identificação com o público.

Ao evoluir da franquia, os produtores usaram o clichê “mais é melhor”, e trocaram o gênero suspense por ação, limitando-se a estacionar a trama e o desenvolvimento dos personagens.

Resident Evil: Apocalipse’ trazia uma geneticamente alterada e super-heroína Alice, lutando não só contra os zumbis, mas também contra outras aberrações mais “evoluídas” e mortais. Ao final, mesmo apresentando a tão querida Jill Valentine, o filme acabou pecando por uma direção fraca.

Resident Evil: Extinção’ abusou ainda mais da ação, com uma trama um pouco menos cansativa. O diretor Russell Mulcahy conseguiu retomar as rédeas da franquia, criando um interessante mundo pós-apocalipto e uma Las Vegas desolada. A produção foi um pouco melhor que a anterior, e apresentou Claire Redfield, no lugar deixado por Jill (sem grandes explicações).

Neste ‘Resident Evil: Recomeço’, Paul W.S. Anderson retorna ao cargo que havia abandonado desde o segundo filme: a direção.

Desde sua concepção, o quarto filme foi idealizado para implementar o 3D, usando as Fusion Camera System (mesmas de James Cameron em ‘Avatar’). Com a obrigação de entreter os cinéfilos que vão ao cinema em busca de uma experiência tridimensional, Anderson escreveu um roteiro ainda mais superficial que os anteriores, na esperança de unir todas as cenas mirabolantes de ação com pouco diálogo. O resultado foi uma gama de personagens rasos.

A talentosa Ali Larter não tem espaço para aprofundar sua Claire, e Wentworth Miller parece apenas um enfeite masculino, soltando poucas frases e sempre com um beiço sexy. A relação entre os irmãos Redfield é tão profunda quanto um pires.

E como nos últimos filmes, a bela Milla Jovovich e sua – tão criticada pelos jogadores – Alice, leva a atração em suas costas. Ela está ainda mais segura no papel, e dá um show em cada cena, independente se o momento necessita de um timing dramático ou de uma mulher poderosa acabando com 200 zumbis. Falta-lhe apenas um interesse romântico.

Resident Evil: Recomeço’ tem o mérito de ser o que mais se aproxima dos games, e deve alegrar os que reclamaram da diferença entre eles. A cena inicial, toda protagonizada por Alice e seus clones, é incessante. Logo no começo, percebemos que a ação vai correr solta durante todo o resto da projeção. E a promessa é cumprida: cenas espetaculares para usar o 3D. Seja nos diversos slow-motions (acredite no diversos), no sangue dos zumbis voando em seu rosto e na luta contra o gigante Axeman (Executioner), uma das cenas mais legais.

Como entretenimento, ‘Resident Evil: Recomeço’ é uma boa pedida. Mas fica a tristeza de uma franquia que a cada filme começa em um ponto, e termina no mesmo.


De preferência, procure assisti-lo em 3D.

*Não perca a cena pós-créditos.

Nota:

Crítica por: Renato Marafon