O Retorno


Sinopse: Em 1958, Rodolfo Nanni realizou o documentário O Drama das Secas (1958). Meio século depois, o diretor volta ao Nordeste, percorrendo o mesmo roteiro do filme anterior.

A premissa de O Retorno, como pode ser visto na sinopse, é intrigante. Infelizmente, para quem tem uma mínima noção da realidade brasileira, não é difícil de deduzir que a situação no sertão não mudou muito em 50 anos. Quando se assiste ao documentário, vislumbra-se apenas uma triste constatação do que já se sabe.

Além da óbvia questão da seca, o filme retrata outros pontos pertinentes. A precariedade é infectante e afeta a educação, a saúde, as condições de moradia e trabalho do povo da região. O mérito da fita está em apresentar toda essa calamidade sem o tom sensacionalista que algumas reportagens jornalísticas empregam para falar da mesma coisa. Quando se compara todo esse cenário quase apocalíptico com as infelizes e ineficazes atitudes políticas tomadas para tentar sanar a situação, é inevitável sentir certa dose de indignação.

O filme não parece tentar, em momento algum, propor soluções ou medidas que amenizem a calamidade nordestina. É óbvio que se trata de uma questão muito complexa, mas não custava falar da importância de campanhas que conscientizem sobre o controle de natalidade, já que muitas famílias gigantescas são entrevistadas. Eis apenas um exemplo.

O mais marcante em O Retorno é o fator humano. O cineasta Rodolfo Nanni é muito carismático e consegue conduzir bem as entrevistas. Os depoentes são interessantes e demonstram toda sua sabedoria, apesar da falta de instrução formal. Provocativo e humano, o filme é um duro, porém necessário, retrato da realidade nordestina.

 

Nota:
Crítica por: Edu Fernandes (HomemNerd)