Um filme de fazer ranger os dentes. Essa seria a maior acunha para Rio Congelado, um filme poderoso em todos os quesitos possíveis: atuações, direção, cenografia, trilha sonora, roteiro entre outros processos da indústria cinematográfica. Pouco visto, Rio Congelado ficou renegado ao circuito alternativo mas deve fazer mais sucesso no mercado de dvds. O enredo convergem com muitas outras produções atuais sobre diáspora e relações étnicas contemporâneas.

Ray Eddy acaba de ser abandonada pelo marido, que parte após gastar todas as economias da família em apostas. O salário dela é insuficiente para manter seus dois filhos, que mal têm o que comer. Ao sair desesperada em busca do marido, Ray conhece Lila Littlewolf, uma descendente de índios Mohawk que também luta para sobreviver. Embora não confiem muito uma na outra, as duas mulheres se unem numa atividade perigosa em nome da necessidade: transportar imigrantes ilegais do Canadá para os EUA através do congelado Rio St. Lawrence.
O filme apresenta um quadro similar apresentado pelos recentes Território Restrito, Crash- No Limite, Casa de areia e Névoa: A obsessão pela imigração e a ilegalidade de muitos nos Estados Unidos. Assim como os personagens de Rio Congelado, muitos desses imigrantes ilegais leval anos para quitar apenas a vinda ao império do capitalismo mundial. Destaque para a cena em que Ray Eddy comenta: “Se queriam tanto ficar deveriam aprender a falar inglês...tomara que não sejam homens bomba.” Essa e muitas outras incursões no roteiro pelo tema medo pós 11/09 torna o filme uma extensa colcha de retalhos sobre o tema da imigração e das relações étnicas nos Estados Unidos recentemente.

Com apenas 97 minutos de duração, Rio Congelado traz a poderosa e comentada atuação de Melissa Leo, indicada ao Oscar 2009. O filme aborda de forma menos patriota o tema diáspora aos Estados Unidos, longe da redenção que torna Crash- No Limite, por exemplo, um filme poderoso gorduroso no que tange o seu roteiro.