O Ritual


A mídia especializada fez o maior alvoroço quando Anthony Hopkins declarou que o papel em O Ritual, terror que estreia nesta sexta-feira nos cinemas, era o papel mais interessante da sua carreira desde o psicopata Hannibal Lecter, de O Silêncio dos Inocentes. Maior mancada do ator. A sua participação neste pseudo filme de terror nada mais é que mais do mesmo, uma variação de Hopkins atuando no automático.

O Ritual, acredito, não assusta nem criança. Embalado numa trama frouxa e repleta de clichês, esta produção equivocada de terror ainda se preocupa em tecer alguns comentários ácidos sobre o clássico absoluto de 1973, O Exorcista, de William Friedkin, tornando-se ainda pior do que poderíamos imaginar, afinal, naufragando num mar de pretensão, o diretor Mikael Håfström (do também irregular 1408) promete seguir um rumo diferenciado na trajetória, apresentando um filme sem vômitos verdes e pescoços girando (referência clara a O Exorcista numa das falas do padre Lucas, vivido por Hopkins), portanto, as personagens vítimas de possessão cospem pregos e sangue durante a presença do tinhoso.

Na trama, Mikael Kovak (Colin O’Donoghue, convicente) é um cético que decide seguir outro rumo na sua vida. As opções são parcas: em sua família, ele pode escolher ser padre ou agente funerário. Convencido de que não tem a fé necessária para assumir a posição que lhe é indicada, Mikael, numa tempestuosa noite, resolve enviar um e-mail solicitando demissão ao seu superior no Seminário. Informado que não pode largar o sacerdócio, tendo como possível pena a transição da sua bolsa durante os 04 anos de curso em empréstimo, o que lhe deixaria com uma dívida de quase 100 mil dólares, Mikael é indicado a seguir para Roma (proposital ou não, apresentada de forma caótica no filme) para aprender práticas de exorcismo. Chegando ao local, a trama descamba no mais óbvio: Mikael terá a sua fé testada a todo custo.

Com uma história baseada em fatos reais em mãos, os produtores deste vergonhoso terror com elenco de primeira linha é a própria materialização do pecado cinematográfico: o roteiro é ruim, o design de som fica a desejar, os elementos assombrosos são apresentados de forma gratuita, como as baratas e a mula negra (no interior da Bahia, aquela mula negra com olhos vermelhos ganharia o título de “gota serena”) e por aí vai...

Alice Braga surge como Angelina, uma jornalista decidida a pesquisar e publicar um livro sobre exorcismo. Seu papel ganha um destaque maior na segunda metade da projeção, incomodando bastante: o esforço da atriz é pueril, afinal, a tentativa de convencer o espectador de que estamos diante de uma trama séria é uma marca da tentativa do elenco de salvar o filme do fracasso, o que não funcionou.

Numa temporada de filmes arrebatadores como Cisne Negro, considerados como formosos banquetes, O Ritual nada mais é que migalhas na mesa. Com 113 minutos de duração, a trama não convence ninguém. Se os responsáveis tivessem se preocupado menos em traçar referências críticas desnecessárias ao clássico O Exorcista e decidido fazer uma pequena revisão com exemplares dignos como os recentes O Último Exorcismo e O Exorcismo de Emmily Rose, O Ritual talvez tivesse sido salvo da tamanha vergonha que o é. Vale ressaltar que mesmo sendo tão ruim, o filme ficou entre os primeiros na semana de estreia e parece que vai mandar bem nas bilheterias nacionais no final de semana de estreia.

O Ritual segue a cartilha de filmes pedagógicos, numa tentativa descarada de educar para o sacerdócio. Esta é a mensagem final. Antes de encerrar, que tal conhecermos outras tramas sobre o questionamento da fé alheia?

Tendo como a maior parte do cenário a atmosfera dark da floresta perto de Nova Orleans, Caroline, uma enfermeira contratada, por uma mulher mais velha, para cuidar de seu marido doente em casa... uma mansão gótica e decrépita.
Intrigada pelo casal enigmático, a maneira misteriosa e secreta deles, Caroline começa a explorar a velha mansão. Um suspense eletrizante que coloca a fé de Caroline em jogo. Esse é A Chave Mestra, dirigido por Ian Softley.

Na esteira dos bons filmes de suspense, temos também O Exorcismo de Emilly Rose.
Inspirado em história real, conta o drama vivido por uma jovem de 19 anos possuída pelo demônio em um dos raros casos do tipo reconhecido oficialmente pela Igreja. No filme, a protagonista Laura Linney interpreta o papel de uma advogada que defende um padre (Tom Wilkinson) acusado por uma sessão de exorcismo realizada em uma adolescente chamada Emily Rose que, segundo ele, havia sido possuída pelo demônio.


Nota:

Crítica por: Leonardo Campos