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Scoop - O Grande Furo

Woody Allen viu em Scarlett Johansson sua nova parceira de filmes, lugar antes ocupado por Diane Keaton e Mia Farrow. Johansson é uma das mais novas caras do cinema americano e vem ganhando prestígio, afinal de contas, já trabalhou com Sofia Coppola, Michael Bay, Peter Webber e Joel Coen, só para citar alguns, e já mostrou que tem talento para seguir em frente e se tornar uma grande atriz. Allen está disposto a colocar a atriz no caminho certo a começar pelo próprio enredo de seu novo longa "Scoop - O grande furo".

Nele uma estudante de jornalismo Sondra Pransky (Johansson), de férias por Londres, ao participar de um show de mágicas comandado por Splendini/Sid Waterman (Allen) entra em contato com o recém falecido jornalista Joe Strombel que lhe dá uma dica para uma grande reportagem, o nome do assassino do tarô, um serial killer que está assustando a população londrina. Pransky promete investigar o assassino, um aristocrata chamado Peter Lyman, mas no meio do caminho ela acaba se apaixonando por ele enquanto persegue seu furo jornalístico.

A partir do enredo leve e com jeito de comédias românticas dos anos 50 e 60 pode-se observar o jogo entre aprendiz e mestre que o diretor faz com a atriz. Allen constrói a personagem de Johansson baseada nele mesmo, o que já havia ocorrido em outros longas do diretor. O modo como gesticulam, falam e fazem piadas são as marcas registradas. A personagem ainda trás consigo o jeito pouco sexy (só olhar roupas, modo de andar e os óculos, no melhor estilo Woody Allen) o que logo nos faz comparar com Woddy Allen, já que ele, sujeito baixinho, esquisito e de pouca beleza física.

No começo do longa Sondra solta a seguinte fala para o falecido jornalista "o que eu não tenho de experiência eu compenso com empenho", essa frase deve ter sido dita muitas vezes pela própria atriz atrás de seus primeiros papéis, e quem sabe pode ter encontrado em Allen seu mestre e professor, já que a parceria entre eles pode render outros longas, e não se esquecendo que o papel foi escrito para ela. Na sua busca pelo criminoso e por provas para prende-ló, Sondra conta com a ajuda do mágico e com as dicas do experiente jornalista. Sid pouco acredita na moça, mas por insistência dela aceita acompanha - lá. É certo que o personagem de Allen por vezes está deslocado da trama já que Sondra está hospedada na casa da amiga que sabe toda a verdade, então porque pedir para um estranho ajuda - lá em uma missão tão complicada. Assim o mágico Sid acaba funcionando como a presença paterna e que acaba assumindo ao longo do filme, conferindo proteção e segurança a personagem, além de encaixar perfeitamente nas desculpas da garota, ainda que meio atrapalhadas.

Allen faz do show de mágica o cenário perfeito para a aparição de Joe Strombel, pois é em um cenário cheio de magia que a cena torna possível, até mesmo para uma aspirante de jornalismo que não acha nem um pouco inusitado aquele fato. A busca pela reportagem perfeita faz com que Sondra descubra sua vocação e deixe de lado a desastrada experiência do início do longa. E aquilo que parecia ser a escolha errada do fantasma, ou seja, o contato errado do mundo dos mortos se torna uma escolha até acertada. É justamente no personagem de Strombel que reside mais uma prova de que existe a relação de mestre e aprendiz. É driblando a morte por alguns momentos que o jornalista dá preciosas dicas e ensina Sondra a arte de ser um repórter investigativo, e ela não poderia ter professor melhor, o mesmo serve para Johansson.

Outro ponto que podemos observar no filme é como o amor pode nos cegar, ou a possibilidade de alguém que amamos estar fazendo algo que fere nossos princípios e sentimentos. Pois é assim que vemos Sondra, mesmo não tendo muita certeza se Lyman é ou não o tal do assassino do tarô, ela não quer acreditar que aquele homem possa fazer algo tão cruel, e se sente aliviada quando um suposto assassino é pego e assim ela pode dar fim as suas investigações, mesmo com a insistência de Syd e do jornalista que continua a visita-lá. Woody Allen ensina Johansson as artes do cinema e do crime, e ela por sua vez agradece entrando na pele de mais uma personagem do universo do diretor americano, que deixou de lado a tão amada Nova York para eleger mais uma vez Londres o pano de fundo de suas temáticas e obsessões fílmicas.

Nota:
Crítica por: Cinara Patrícia
Site Oficial : ---

 

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