Scott Pilgrim Contra o Mundo


Lembro de ter dito, nesta mesma época do ano passado: “nerds, festejem, pois seu filme do ano chegou”. Era sobre 500 Dias com Ela, filme que se tornou sensação entre o público (pseudo)cult-nerd. Pois bem, eis que los digo o mesmo agora.

Scott Pilgrim Contra o Mundo possui todos os elementos necessários para fazer sucesso no nicho para o qual foi direcionado: possui referências pop mil, que vão dos quadrinhos tradicionais aos mangás, da música pop ao rock, dos filmes de ação às comédias teen, dos jogos de videogames antigos aos mais modernos.

O personagem-título é vivido por Michael Cera, garoto que já fez sucesso protagonizando outras duas comédias de segmentos similares, Superbad e Juno. Com cara de quem acabou de largar a mamadeira, ele faz o tipo ideal que se encontra entre o imaturo e o recém-independente. Mal terminara de concluir que o que sentira por uma adolescente de 17 anos não era amor, engatara um romance com uma garota de 25 anos, três a mais que ele.

Só que, para ficar com a moça descolada e de cabelos de cores mutantes, Scott terá que enfrentar os sete ex-namorados dela. E ele tentará fazê-lo com a ajuda dos parceiros de sua banda de rock, sua irmã e seu companheiro de quarto, o “amigo gay” Wallace Wells (Kieran Culkin, roubando a cena).

História simples, encontrada em qualquer comédia-romântica, seja ela teen ou não. O que o diretor Edgar Wright (Todo Mundo Quase Morto; Chumbro Grosso) fez foi traduzir os sentimentos comuns à maioria das pessoas que se encontram neste estágio de vida em imagens hiperbólicas. Quem nunca sentiu, num dia de ressaca, que a luz do dia agride tanto quanto a um vampiro; ou que o cérebro registra as informações básicas de cada pessoa e as fornece sempre que as vemos, como tarjas identificatórias; ou que uma possível briga pode se tornar numa luta épica cheia de efeitos visuais de filmes de ação?

Baseado no game homônimo, o filme não poupa esforços para ser fiel ao estilo de origem e dá ao fã aquilo que ele deseja ver: muita computação gráfica, sensacionais truques de montagem a la Tulse Luper (do surrealista Peter Greenaway) e uma trilha de base rock sintonizada com a atual onda estilística.

A produção caprichou na variedade de cenários e em cada detalhe das cenas, que dão bruscos saltos entre um fundo e outro, entre o real e o imaginário, mas que não causam estranhamento. São poucos os momentos em que ultrapassa a linha do aceitável e exagera no hype.

Uma overdose onomatopéica de dar inveja às antigas versões de tevê para Batman e Robin, Scott Pilgrim recicla suas referências para criar um estilo próprio, mas que provavelmente – e infelizmente – só agradará a nerds, geeks e simpatizantes.

 

Nota:

Crítica por: Fred Burle (Fred Burle no Cinema)