Além dos reinos de Bella Swan e Edward Cullen, há outras histórias de chupadores de sangue, mais sujas, violentas e bem humoradas! Não vou discutir com os fãs do Crepúsculo. Apenas dar um toque: NÃO PERCAM “SEDE DE SANGUE”!!!, último trabalho do diretor sul-coreano Park Chan-wook.

O filme narra a história do padre Sang-Hyun que, após uma transfusão de sangue, se torna um vampiro. No começo, ele trabalha em um hospital dando conforto espiritual ao pacientes. Descontente por não poder fazer algo mais concreto pela humanidade vai para a África ser cobaia. Após testes para uma vacina, ele morre. Porém, por conta da dita transfusão, ele ressuscita.
Vale observar como o diretor adapta as regras do vampirismo para a situação de alguém transformado em vampiro por transfusão sanguínea. O padre não pode se expor à luz do sol (ele queima ao invés de brilhar – desculpem fãs de Edward, mas não poderia perder esta piada infame!)., tem vida eterna, aparência inalterada, como outros clássicos. Porém, não possui caninos, nem suas mordidas têm efeitos; ele bebe o sangue como suco e só dando o seu para alguém beber que este vira vampiro.

É depois de beber o sangue de Sang-Hyun, que a bela Tae-joo se transforma em uma maligna vamp de olhos puxados.
O aparecimento de Tae-joo causa diversos conflitos morais em Sang-Hyun. Primeiro, o apelo sexual dela, depois o desejo da moça por sangue. Enquanto Sang bebe sangue dos pacientes do hospital, Tae-joo não hesita em matar. Ela é o elemento causador das grandes dúvidas moral que atormentam o padre.
Através da trajetória desse padre-vampiro e de sua parceira, a narrativa une etilos. Do drama do começo, passamos pelo mistério, pelo terror, mais adiante suspense com comédia, uma história de amor equilibrando desejo, humor e violência.

É admirável o apuro técnico-artístico que o diretor sul-coreano alcançou neste último trabalho. Trocando a vingança (a trilogia da vingança: Mr. Vingança, Oldboy e Lady Vingança) pelos conflitos entre religião e mundanismo, vida e morte, Park Chan-wook aprofunda o debate sobre a moral humana, sem deixar o humor, suspense, romance e violência de lado.
Como em seus filmes anteriores, a narrativa é exaustiva. Nada de subentendidos acerca do final das personagens. Tudo fica redondinho ao fim. O que não significa menos coisas na cabeça para se conversar na mesa do bar!