Segurança Nacional


Minha sessão de Segurança Nacional já começou com problemas. Para variar, problemas de projeção. A imagem absurdamente desfocada e as cabeças cortadas me fizeram reclamar logo no início do filme. Mal sabia eu que aquela seria a menor das reclamações.

Confesso que não li quase nada sobre Segurança Nacional antes de ir assistí-lo. Infelizmente, já que se tivesse pesquisado um pouquinho iria para a forca consciente. A crítica não perdoou, com razão.

O filme demorou quatro anos para ficar pronto e eu, por experiência própria, desconfio muito do motivo: um filme só demora todo este tempo quando o montador não sabe o que fazer com tanto material ruim. É claro que falta de grana também faz o filme atrasar, mas dinheiro não foi o problema deste filme. Não consigo nem acreditar que a equipe tenha gostado. Talvez por isso não tenha tido divulgação alguma. Estreou para cumprir tabela e encerrar o assunto.

No Brasil, traficantes-terroristas (!) ameaçam destruir a base do SIVAM (Serviço de Vigilância da Amazônia). Juntam-se a outros para tentar destruir o governo brasileiro e passam a ser caçados pelos agentes da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência).

O agente principal é interpretado por Thiago “Jack Bauer” Lacerda, que se esforça para não parecer tão ator de “Maria do Bairro” quanto o restante do elenco.

Com uma produção competente, que conseguiu apoio do exército, da marinha, da aeronáutica e etc para filmar em dezenas de locações e com os melhores recursos possíveis, o restante da equipe realizou a façanha de pegar tudo isso e desperdiçar. A fotografia é mais branca do que a de Ensaio Sobre a Cegueira (que fique claro que eu acho a fotografia do filme do Meirelles muito adequada e bem executada), completamente estourada e de enquadramentos aleatórios; a direção é mais perdida do que um cego ficaria no meio dos tiroteios enfadonhos do filme; a trilha sonora é de um mau gosto e inadequação inacreditáveis; o roteiro é mais esburacado que o asfalto de Brasília em época de chuva. Quer saber? Nem a produção pode ser elogiada, afinal de contas, quer maior culpado do que o produtor que topou tirar do papel uma história tão ruim e obviamente fadada ao fracasso?

Sobrou para o pessoal do som tentar fazer o barulho que o resto não faz. Mas nem no grito o filme não ganha o espectador – sim, porque com a quantidade de barulho que se houve na sala de cinema, a impressão que fica é que isto foi uma maneira encontrada para tentar “enganar” o público, que corre o risco de sair da sessão ou surdo ou desorientado.

Segurança Nacional levanta a bandeira ufanista, mas a imagem que ficou, para mim, foi a de vergonha nacional.

Nem Paul Greengrass conseguiria impedir a explosão desta bomba. God bless Brazil.

 

Nota:
Crítica por: Fred Burle (Fred Burle no Cinema)