Sexta-Feira 13


Quem em sã consciência iria assistir ao filme Sexta-Feira 13 esperando algum ponto de seriedade?

O novo capítulo da famosa série é uma homenagem ao vilão Jason Voorhees, que completa a travessia de três gerações (décadas de 80, 90 e anos 2000) com a chegada de mais um episódio para a interminável saga do assassino sanguinário. Sexta-Feira 13 (2009) é o 11º filme da série e a 12ª aparição do personagem nas telonas.

A direção desta vez esteve nas mãos do irregular Marcus Nispel, responsável por filmes como O Massacre da Serra Elétrica – o início, um outro clássico revisitado por Michael Bay em 2003, que ganhou continuação infinitamente inferior nas mãos de Nispel.

O filme traz todos os elementos dos clássicos episódios da série. Sendo assim, as regras são as mesmas: as meninas mais assanhadas morrem primeiro, as cenas de perseguição possuem sonosplastia extra com os gritos femininos e para melhor ilustrar, Jason recebe tiros, facadas e todo tipo de ferimentos mas continua ali, na sua melhor forma. É um misto de refilmagem e continuação do primeiro filme da série Sexta-feira 13.

Por falar em forma física, desta vez temos uma novidade assustadora: Jason corre. E muito. O ator escolhido para atuar como Jason foi Derek Mears, que pode ser visto de forma igualmente assustadora no filme Viagem Maldita (2006). Se Sexta-Feira 13 ganha pelo novo fôlego ao aspecto físico do vilão, perde feio na cena inicial com a representação da mãe de Jason. A cena soa fraca e ineficaz.

O elenco está razoável. As atrizes principais dão conta do recado: gritar e correr. O ator Jared Padalecki, da série de tv Supernatural também cumpre o combinado: usar a força e defender as mocinhas. As mortes continuam criativas e elementos de outros filmes como Jogos Mortais e O Massacre da Serra Elétrica pululam a todo momento, mostrando que Jason está de cara nova, mais moderno do que nunca, preparado para a sua nova saga cinematográfica.

Sexta Feira 13 (2009) não é dos piores, mas está longe de ser um bom filme. Apesar da homenagem aos fãs, com diálogos e cenários alusivos aos 2º ,3º e 4º filmes, Marcus Nispel perde o gingado quando não consegue passar emoção com algumas cenas, tornando o que poderia ser tenso em apenas violência gratuita. As idéias estão todas lá, o que faltou foi um melhor desenvolvimento. O diretor, que também cometeu equívocos na continuação de O Massacre da Serra Elétrica (2003) têm mostrado-se mais apto para uma outra atuação profissional: produtor de eventos. Conseguiu reunir fãs de todo o mundo para as mais variadas salas de cinema. Pessoas de 30, 40 e até 50 anos, que viveram a série em seus momentos originais, tendo agora um motivo para reecontrar-se com o ícone do cinema, tão potente como James Bond (007) e Michael Myres (Halloween).

O orçamento do filme beirou a casa dos U$16 milhões. Aproveitando o novo gás adquirido por este novo episódio, a Paramount lançou um Box com as partes 2,3,4,5 re 6, acompanhado de um óculos 3D (para o 3º capítulo da série, lançado originalmente desta forma) e uma máscara do vilão. O único DVD que traz extras super interessantes é o 2º filme. Nele, temos um congresso de cinema e terror, onde os principais interpretes de Jason concedem entrevistas aos fãs e todo um dossiê sobre a série. Há um DVD lançado apenas nos EUA, sem previsão de chegada ao Brasil, com 4 horas de extras sobre os bastidores de produção e entrevistas com atores e membros da produção de todos os capítulos da saga.

 

Nota:
Crítica por: Leonardo Campos