Falar de temas comuns está se tornando a especialidade do diretor e roteirista Alexandre Payne. Com isso, ele prova que uma boa comédia, talvez não dependa somente de criar situações inusitadas e que extrair complexidade de situações comuns e medíocres do nosso próprio dia-a-dia seja um caminho muito bom para o ramo da comédia, como prova o filme "Sideways - Entre umas e outras", que está em cartaz no Brasil, e que vem recebendo elogios rasgados da crítica e ganhando vários prêmio, entre eles o Globo de Ouro e o prêmio do Sindicato dos roteiristas, além de cinco indicações ao Oscar (entre elas, melhor filme e diretor). A história é muito simples. Payne nos convida a conhecer de perto dois amigos com personalidades bastante distintas: o amargurado degustador de vinhos Miles (interpretação impecável de Paul Giamatti, que injustamente não foi indicado ao Oscar de melhor ator) e o ator boa-vida Jack (interpretado muito bem por Thomas Haden Church, que foi indicado ao Oscar de coadjuvante pelo papel). Miles é o típico divorciado inconformado, depressivo e que nem ao menos consegue implacar um livro, enquanto Jack está prestes a se casar e em uma semana saí em viagem com Miles pra comemorar uma despedida de solteiros. Nessa viagem, situações bem sultis colocam em prova as suas personalidades, envolvendo-os em situações hilariantes. O trabalho do elenco ajuda muito, destaque para a atriz Virginia Madsen, que fez sucesso na década de 80, mas depois passou a fazer somente filmes de classe b, estilo "Sessão da Tarde", mas agora volta muito bem no filme, conseguindo a indicação ao Oscar de coadjuvante e também da atriz Sarah Oh, muito engraçada no papel de uma coreana. O roteiro é inegavelmente excelente, a história é contada de maneira natural, sem cair na monotonia, deixando até um gostinho de quero mais quando vai se aproximando do final. Por fim, Alexander Payne prova mais uma vez que não há nada mais engraçado do que assisti e rir dos momentos mais delicados da vida. Da vida dos outros, diga-se de passagem. |