Clint Eastwood, que ficou conhecido pelo grande público por fazer papéis de homens durões, também desempenha com muita competência a função de diretor adquirindo personalidade própria nesta função, ele não é apenas um ator que se aventura na direção fazendo produções esquecíveis. Um excelente exemplo desse talento é a sua última fita Sobre Meninos e Lobos onde consegue mostrar com virtuosismo uma história que é fortíssima, difícil de digerir. Estamos em tempos de superficialidade atroz, quase todos os grandes filmes de Hollywood são feitos para a criançada, no máximo para teens, e o público adulto com mais de 3 neurônios tem que se contentar com esse tipo de fast food ou ficar em casa mesmo. Poder assistir a algo um pouco mais maduro é um bálsamo, pena que tão raro. A história é sobre 3 garotos que vivem aprontando na vizinhança, enquanto faziam algumas traquinagens são abordados por um policial que os repreende, um dos meninos é obrigado a entrar no carro deste homem onde estaria também um padre. O garoto é torturado e abusado por vários dias até conseguir fugir. Vinte e cinco se passam e cada um foi para um lado sem nunca perder contato. A filha de um deles é brutalmente assassinada e justamente o garoto que fora abusado no passado, hoje um adulto desequilibrado, é o principal suspeito. O espectador não sabe até os momentos finais quem realmente é o assassino. E é aqui que entra o talento de Eastwood, não há mocinhos ou bandidos, há seres humanos que não podem ser classificados como heróis ou bandido, há personagens com profundidade. E assim como na vida real é uma tarefa arrasadora ter que lidar com abuso de menores, impunidade e culpa. Não há saidas fáceis, há um gosto amargo durante toda a projeção mas não é um vão, uma boa reflexão sobre a nossa sociedade com certeza virá à tona na maioria dos espectadores.
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