Um Sonho Possível


Quando Sandra Bullock foi indicada ao Globo de Ouro pelo seu desempenho no filme Um Sonho Possível (The Blind Side), muito se comentou o que a atriz estava fazendo ali. A surpresa maior foi quando Sandra ganhou o prêmio - e este seria o primeiro de uma série que ela vem levando. O ápice da atriz foi no dia 7 de março, quando Sandra disputou o Oscar.

Favorita, ainda que concorrendo com ninguém menos que Meryl Streep, Sandra Bullock pode ser conhecida como atriz de comédia, mas é extremamente injusto diminuirem seu talento só por causa disso. Desculpem os chatos de plantão, mas ela está ótima em Um Sonho Possível. E sim, mereceu o Oscar. Por que não?

Claro que Sandra não é tão talentosa quanto Meryl Streep. Mas quem disse que o mais talentoso vence? Gwyneth Paltrow não ganhou da nossa Fernanda Montenegro? Pois é. E Sandra Bullock convence bem mais que Gwyneth. Fica a dica.

Vamos ao filme. Logo na abertura, a decoradora e ex-cheerleader Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock) explica o título original do longa, um termo derivado de táticas do futebol americano. A explicação se faz pertinente para expectadores como nós, brasileiros, que não entendemos nada desse esporte, e o termo "blind side" servirá de premissa para toda a história. Quando um quarterback destro se prepara para um passe, o atacante esquerdo de seu time deve proteger seu lado cego, que seria como o ponto cego de um carro, de um ataque do time oponente. Esta explicação é a metáfora da trama, que conta a história real do hoje atacante dos Baltimore Ravens, o então problemático adolescente Michael Oher, o Big Mike (o ótimo Quinton Aaron).

Por causa de sua altura e força, o jovem consegue estudar numa escola para ricos, já que lá apostam que ele pode ser um bom jogador de futebol americano. Mas Big Mike mal tem o que vestir, enfrenta inúmeras dificuldades para estudar e não consegue se comunicar. Com 15 minutos de filme já sabemos onde isso tudo vai parar - e já é possível sentir aquele aperto no coração: Leigh conhece Michael e resolve ajudar o rapaz.

Loira, perua, engraçada e extremamente amorosa, Leigh é o tipo de mulher fútil que acaba sendo um exemplo de bondade ao adotar Mike e dar a ele as oportunidades que a vida lhe negou. O rapaz, que mal consegue esboçar um sorriso, acaba percebendo a importância de um lar e começa uma - aparentemente não promissora - carreira no futebol.

Apesar de ser mais um daqueles típicos filmes americanos em que o protagonista supera todas as dificuldades para vencer na vida, Um sonho possível tem seus méritos. O maior deles talvez seja o esforço enorme que a direção e o roteiro de John Lee Hancok, adaptado do livro The Blind Side: Evolution of a Game, fazem para que o longa não seja piegas. E ele consegue. Vamos admitir que isso é um feito, e meio caminho andando para que a boa aceitação do público. Ah, e claro, a boa química entre Sandra Bullock e Quinton Aron também ajuda muito.

O filme só estreia no Brasil no dia 19.

Nota:
Crítica por: Janaina Pereira (Cinemmarte)

 


 


 

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