Tarde Demais
11.11.2011
Rod Carvalho

Julgar e ser julgado. De quem é a culpa afinal? Mas, será que ela existe realmente? Depois de nos pipocar com longas sobre adolescentes em fúria e o que culminava nessa explosão ensandecida de testosterona, eis que Hollywood nos brinda com um filme que aborda um lado da história nunca antes aprofundado com afinco: o dos pais.

Em “Tarde Demais” (Beautiful Boy), algo que chama muita atenção é o cuidado e a forma primorosa que o diretor Shawn Ku teve ao nos distanciar dos personagens principais com um olhar voyeur ao mesmo tempo em que nos faz cúmplices dos acontecimentos que os leva a um conflitante emaranhado emocional. De forma tensa e angustiante, Bill (Michael Sheen) e Kate (Maria Bello), um casal que passa por um momento de desgaste no casamento, recebe a notícia que seu único filho cometeu um assassinato em massa na universidade que estudava antes de tirar a sua própria vida.

Com a ajuda de um roteiro bem elaborado e estruturado no intuito de dissecar todos os tipos de questões e sentimentos que passam pela cabeça de um pai e uma mãe numa situação aparentemente inimaginável, porém, perfeitamente possível, Sheen e Bello dão um show de interpretação. Em todos os momentos, sejam a sós ou no meio de familiares e estranhos, a cumplicidade dos atores é refletida nos personagens com tamanha naturalidade que subitamente leva o espectador a sucumbir aos seus lugares na tela quase que automaticamente.

Assim, com essa mistura homogênea de aditivos, Shawn fez de seu primeiro longa uma verdadeira catarse onde não há espaço pra qualquer tipo de caricaturas.

 

Nota:

 

Crítica por: Rod Carvalho