Tempos de Paz


Sinopse: Clausewistz é um polonês chegando ao Brasil em 1945, fugindo da guerra. Ele afirma ser um agricultor, mas os fiscais desconfiam que ele esteja mentindo. Durante um interrogatório, ele terá de provar que não deve ser deportado.

O filme Tempos de Paz é a adaptação cinematográfica da peça Novas Diretrizes em Tempos de Paz e a estratégia escolhida foi em manter os elementos que fizeram sucesso nos palcos. Como um dos atrativos é o duelo entre atores, não houve mudança nos intérpretes dos dois personagens principais.

Tony Ramos (Se Eu Fosse Você 2) se sai melhor nesse quesito, por ter adaptado seu estilo de atuação para a câmera. Dan Stulbach infelizmente não se sai tão bem, exagerando nos trejeitos de seu papel a todo o momento. Os abusos dele acabam prejudicando o clímax final e não permite a verificação de nuances que o cinema exige.

De forma geral, o filme consegue mostrar sua personalidade, mesmo sendo bem fácil deduzir como era a dinâmica do texto no teatro. A fita também respeita e explora a origem do roteiro, com momentos teatrais bem dosados e oportunos. Com essa saída inteligente, o público que normalmente frequenta os teatros fica satisfeito e os cinéfilos não torcem o nariz.

A situação parece simples, mas há muitas leituras possíveis para Tempos de Paz. Assisti-lo poderá ser muito proveitoso para alunos de matérias variadas. Além de obviamente ajudar na aula de História e em estudos de Teatro, discussões em Linguística – por causa do amor de Clausewistz pelo português –, Sociologia e a questão da imigração, e Filosofia, já que a tortura e os horrores e motivações da guerra é um dos temas.

Em um ano em que o cinema nacional está de vento em popa por causa de várias comédias de apelo popular, é muito bom apreciar um drama que consegue ter valor enquanto linguagem cinematográfica e que é acessível ao grande público.

 

Nota:
Crítica por: Edu Fernandes (HomemNerd)