Relativo fracasso de público e (nada relativo) de crítica, "O Terno de 2 Bilhões de Dólares" chega agora ao Brasil para deleite dos fãs de Jackie Chan, astro de filmes de kung-fu em Hong Kong que procura consolidar carreira em Hollywood. Depois de uma boa série de sucessos (os dois "A Hora do Rush" e "Bater ou Correr"), nos quais dividiu a cena com outros atores (Chris Tucker e Owen Wilson, bastante famosos nos EUA) , Chan agora atua ao lado da bela Jennifer Love Hewitt, vinda diretamente de comédias e slasher-movies para adolescentes. Convenhamos: trocar Owen Wilson por Love Hewitt é algo bastante satisfatório e animador. Mas, por incrível que pareça, a dupla deste filme não funciona muito bem. Enquanto Chris Tucker (ou até mesmo Owen Wilson) tinha grande química com Chan, fazendo a platéia gargalhar com suas tiradas histéricas e que, às vezes, acabavam ocultando a presença do chinês, Jennifer Love Hewitt inexiste. Apagada e sem um por cento do timming que apresentou na comédia "Doce Trapaça", Hewitt só consegue ser irritante quando tenta ser engraçada, e praticamente anula algumas piadas (já fracas) do filme. A culpa não é somente da atriz, já que sua personagem também não é das melhores. Jennifer vive Del Blaine, cientista de uma agência de inteligência que, depois de demonstrar muito interesse pelo assunto, acaba se envolvendo numa extensa investigação. Enquanto isso, Jimmy Tong (Chan), um simples taxista de Nova York, consegue um emprego novo e melhor: ele é chofer de Clark Devlin (Jason Isaacs), um dos milionários agentes secretos que investigam Diedrich Banning (Ritchie Coster), dono de uma empresa de água mineral que tem planos nada benevolentes para cuidar da população mundial. Depois de um atentado, Clark fica inconsciente e Jimmy assume sua identidade, à pedido do próprio patrão. Ele então descobre um terno ultramoderno, capaz de acionar os músculos de quem o veste (transformando-o num grande lutador e até num elegante dançarino), e parte para a investigação ao lado de Del Blaine, designada pela agência para acompanhar Clark Devlin na missão. "O Terno de 2 Bilhões de Dólares", como se já não bastasse a notável apatia de Jennifer Love Hewitt, ainda cerceia a espontaneidade de Jackie Chan. Num primeiro momento (até Jimmy encontrar o terno), o ator apresenta suas coreografias de luta divertidíssimas, como em seus outros filmes, e ainda dá uma de humorista, conseguindo bons momentos cômicos ao tentar cantar uma garota. Mas quando Jimmy encontra o terno, o filme desanda. Jackie Chan, até então espontâneo como sempre, passa a atuar às custas dos efeitos especiais. Perde o posto de protagonista para o terno, funciona como uma marionete, como seu próprio personagem. Enfim, vira outro Jackie Chan. O que tira o gosto ruim da produção são suas cenas de ação bem boladas e algumas lutas extremamente rápidas e inesperadas protagonizadas por Chan. Uma corrida de taxi, no começo, é filmada de maneira empolgante. Uma outra cena, protagonizada por James Brown, também é superior ao restante do filme. Sua conclusão, por outro lado, é terrível, realmente constrangedora. Imaginem Jackie Chan lutando com 3 homens, ao mesmo tempo em que tenta segurar (com um copo) um mosquito prestes a picar Jannifer Love Hewitt. Está feita uma das cenas mais bizarras e idiotas do ano. Quando os créditos sobem, e os erros de gravação tomam a tela, percebemos como os atores se divertiram bastante durante as filmagens (Jennifer e Chan gargalham à beça com as bobagens que fizeram). Pena que a diversão atrás das câmeras não é a mesma que nos é proporcionada durante a exibição do filme.
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