A bela Charlize Theron - também à frente de outra estreia da semana, a aventura 'Aeon Flux' - vem conseguindo destaque em Hollywood pelos papéis de mulher sofredora. Foi assim em "Monster Desejo Assassino", pelo qual levou o Oscar, e agora com este "Terra Fria", que acaba de lhe render uma indicação à estatueta de atriz. Apesar de ser baseado em fatos reais, este filme utiliza personagens fictícios para retratar como ocorreu a primeira vitória de uma ação coletiva contra assédio sexual nos Estados Unidos dos anos 80. 
Tudo começa quando a mãe solteira Josey Aimes (Theron em atuação marcante), recém-saída de um relacionamento turbulento, volta para a casa dos pais (Sissy Spacek e Richard Jenkins) numa cidadezinha no interior do Minnesota. Lá, ela resolve aceitar um emprego em uma mina de ferro. O problema é que as mulheres não são bem vistas pelos homens que trabalham no local e, como represália, sofrem todo tipo de humilhação e assédio. Ou seja, para a já sofrida Josey, não importa o quanto as coisas estão ruins, elas sempre podem piorar. Mas a moça revida e, move, então, o processo contra assédio. Para contar a história, a diretora neozelandesa Nikki Caro (do superestimado A Encantadora de Baleias) preferiu intercalar as cenas de tribunal com as de Josey na adolescência e nas minas. O estratagema funciona bem, aumentando tanto o clima de tensão quanto a empatia com a personagem. 
O longa, porém, demonstra pulso fraco nas cenas finais, recorrendo a saturadíssimos clichês. Um deles, quando os companheiros de trabalho até então omissos, resolvem ouvir a voz do coração e levantam de suas cadeiras para dar apoio à pobre acusadora, é de uma infinita pieguice, já tendo sido visto milhões de vezes nas sessões da tarde. Pela temática e pelo talento dos atores envolvidos na produção, inclusive com a presença de Frances McDormand (em atuação que lhe rendeu a indicação para o Oscar de atriz coadjuvante), "Terra Fria" merecia, neste aspecto, um tratamento melhor.
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