Sinopse: Nádio é o cacique de uma tribo localizada em uma reserva que não tem estrutura para sustentar a todos. Os índios decidem mudar de lugar, indo acampar em um solo sagrado. O problema é que este solo sagrado fica ao lado de uma fazenda.A missão de Terra Vermelha (BirdWatchers - La Terra Degli Uomini Rossi) é mostrar traços da realidade indígena no Brasil que são desconhecidos até para os próprios brasileiros. O primeiro fato é a alta taxa de suicídio entre os nativos e esse triste acontecimento é apresentado logo no início do filme, para já demonstrar a força que será marcante em toda a sua duração.

Para aliviar um pouco o tom, o andamento é lento e pode desagradar quem precisa de velocidade para apreciar cinema. O desenvolvimento das tramas que seguem paralelamente é bem devagar, com os personagens lentamente se relacionando. Com isso, não há como se confundir com as diversas histórias a serem narradas para mostrar um retrato interessante da questão indígena.
Por ser uma produção ítalo-brasileira, provavelmente foi mais fácil não tomar partido. O preconceito que os índios sofrem e o alcoolismo são mostrados, mas o povo não é idolatrado como heróis, fugindo da tendência inaugurada pelos escritores românticos. Por outro lado, o fazendeiro não é um homem cruel e ganancioso que quer passar sobre os índios para conseguir seus objetivos. Assim, o filme consegue instruir sem doutrinar.

Tecnicamente impecável, vale destacar a música composta por Andrea Guerra (A Porcura da Felicidade) com tempero de cânticos religiosos, remontando à época colonial dos jesuítas, onde toda a problemática teve origem. A cenografia de João Bueno (Carandiru) contribui para a realidade buscada pelo longa.
A mistura de atores não-profissionais com nomes de talento, como Leonardo Medeiros (Nossa Vida não Cabe num Opala) e Matheus Nachtergaele (Baixio das Bestas), é um desafio totalmente superado por Terra Vermelha. Com isso, tem-se um título sólido que merece ser apreciado e discutido.