Três dos diretores mais criativos da atualidade se uniram para realizar um filme de episódios fantasiosos passados na capital japonesa. Tokyo é dividido em três episódios: Interior Desing, de Michel Gondry (de Brilho Eterno uma mente sem lembranças) ; Merde, de Leos Carax (de Pola X) e Shaking Tokyo, de Bong Joon-Ho (O hospedeiro).
Os fãs do francês Gondry vão reconhecer facilmente o estilo de narrativa que o consagrou no episódio “Interior Desing”. O diretor conta a história de um jovem casal que tenta se ajustar na cidade de Tóquio. O rapaz sonha em ser um diretor de cinema enquanto a jovem é mais insegura. Na incessante busca por se sentir útil, ela acaba passado por uma inusitada transformação.
Já Merde gira em torno do personagem-título, o Sr. Merde, uma criatura misteriosa que espalha o pânico pela cidade por meio de seu comportamento provocante e destrutivo. É o episódio mais fraco do filme
Em Shaking Tokyo, Joon-Ho narra a história de um homem que está trancado há vários anos em seu apartamento e que um dia se encanta pela entregadora de pizza. A metáfora do isolamento na cidade grande e das pessoas fechadas em seu próprio mundo faz deste o episódio mais sensível e interessante de Tokyo.
O longa é para aqueles que gostam de realismo fantástico, ou seja, um público mais acostumado com histórias pouco convecionais. Não chega a ser brilhante, mas apresenta pelo menos duas propostas - a de Gondry e de Joon-Ho - extreamanente verdadeiras sobre a opressão da cidade grande. E, só por isso, o filme já merece atenção.