Toy Story 3


Lembro exatamente do dia em que fiz a doação dos meus brinquedos. Eu já passava dos 20 anos e escolhi uma amiga, que tinha três filhas pequenas, para herdar aqueles que fizeram parte da minha infância. O rito de passagem da infância/adolescência para a vida adulta só acontece, de fato, quando deixamos para trás as bonecas e carrinhos que representaram os melhores anos de nossas vidas. E é a despedida dos brinquedos mais famosos do cinema o ponto de partida de Toy Story 3, o terceiro episódio de uma bem-sucedida franquia criada pela Pixar, que encanta adultos e crianças.

Bem, despedida é força de expressão. Na verdade é bem provável que a animação ganhe outros episódios. Mas, oficialmente, o trio Andy-Woody-Buzzlightyear vai se separar neste terceiro filme. Esta é a trama de Toy Story 3: Andy cresceu, está com 17 anos e vai para a faculdade. Sua mãe o obriga a dar um jeito nos brinquedos que o acompanharam pela vida - e nos alegraram nos filmes anteriores. Andy decide levar o caubói Woody para a faculdade, e o restante dos brinquedos, incluindo Buzz, vão para o sótão.

Mas, obviamente, nem tudo é simples assim. A mãe de Andy confunde os sacos e os brinquedos que iam para o sótão vão parar em uma creche. Woody, como sempre, quer manter todos unidos e corre contra o tempo para reunir os velhos companheiros e ainda partir com Andy para a faculdade. Para surpresa do caubói, Buzz & cia se sentem úteis novamente na creche com a possibilidade de terem outros donos que brinquem com eles, coisa que Andy já não fazia mais. Porém, o brinquedo que manda no local, o aparentemente fofo ursinho Lotso tem outros planos para os novos moradores.

Sem perder o ritmo, nem as piadas, Toy Story 3 mantém o pique dos primeiros filmes, e não decepciona os espectadores que cresceram com Andy, ou aqueles que já eram adultos - como eu - e recordaram a infância graças às histórias. Assim como os anteriores, este aqui traz cenas que vão entrar para a história do cinema, como o encontro de Barbie e Ken e o momento em que Andy precisa decidir o que fazer com Woody. Além disso, as ótimas dublagens - tanto do original (lideradas por Tom Hanks como Woody) quanto do dublado - continuam dando força ao animado, que agora também tem uma (desnecessária) versão em 3D.

Embora muita gente reclame que a Pixar só faz animações adultas, continuo defendendo que ninguém entende melhor o universo infantil do que eles. Afinal, quem nunca imaginou seus brinquedos falando? O que a Pixar faz é levar o lúdico mundo dos pequenos para a telona com toda a graça e sinceridade que uma criança tem.

Toy Story 3 faz da franquia um clássico das animações, uma série de filmes antológicos para se emocionar e chorar. As crianças se identificam e os adultos também, e isso torna Andy, Woody e Buzz peças fundamentais do mundo cinematográfico como personagens inesquecíveis.

 

Nota:
Crítica por: Janaina Pereira (Cinemmarte)




 


 

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