O longa é baseado em um romance e traz às telas a história do escritor Leon Tolstoi e sua conturbada relação com sua esposa Sofia, na briga pelos direitos de sua obra. No elenco, Christopher Plummer (como Tolstoi), Helen Mirren (Dame Sofia), James McAvoy e Paul Giamatti (Vladimir Chertkov). Só pela prévia do casting, os espectadores podem perceber que o filme vale o ingresso.

Se embasando na relação e no poderio da esposa de Tolstoi, a narrativa mostra a luta dos direitos sobre suas obras. Para Sofia (Mirren), elas deveriam pertencer à família do escritor após a sua morte; como herança. Mas para Chertkov (Giamatti), elas deveriam ser de domínio público; pois vai de encontro com os ideais tolstoianos. Esta discussão vai longe. Sofia é uma mulher determinada e durona, não aceita ‘não’ e luta até o fim para que seu desejo seja aplicado; este desejo não é pura vaidade e sim, uma garantia de um futuro para os herdeiros de Tolstoi. Mas por outro lado, o amigo de Tolstoi, Chertkov, não deixa de estar certo, pois o escritor criou suas obras a partir do povo e é para ele que ele as deixa; além disto, a obra sendo liberada aos russos vai de encontro com os pensamentos tolstoianos. Os dois são muros irredutíveis, e que brigam pelo amor e direitos das obras de Tolstoi.
Vindo pros dias atuais, a questão dos direitos autorais é um assunto que gera polêmica. Atualmente, há uma discussão acerca da questão dos direitos autorais e uma reformulação na Lei do Direito Autoral, bem como o uso de Creative Commons. Este assunto dá pano pra manga seja qual for a época.

Voltando para o filme; ele conta com um casting, com atuações competentes e arrebatadoras. Mirren já está acostumada a roubar a cena, mas desta vez ela teve oponentes que não deixaram, como Giamatti, que sempre – mesmo nas coadjuvações - mostra seu talento e segurança; já McAvoy é um jovem secretário, ele defende seu personagem com o entusiasmo dos jovens perante o grande escritor. E Plummer, imprime na tela a sabedoria e cansaço do escritor em seu final de vida.
O mais interessante é constatar que a genialidade está nos olhos de quem vê e não de quem é de fato. O escritor não era o melhor seguidor dos princípios do movimento e não se achava o sábio que todos o chamavam. A sua simplicidade é o que o tornou grande.