V de Vingança

Baseado na graphic novel homônima, “V de Vingança” chega com a missão de devolver credibilidade aos irmãos Wachowski, que após o sucesso de “Matrix”, frustraram o público com os dois últimos filmes da trilogia. A dupla é responsável pelo roteiro e produção deste longa, mas entrega a direção aos cuidados do estreante James McTeigue, seu habitual colaborador. São duas as boas notícias. A primeira é que “V” funciona bem e, apesar de não trazer nada de revolucionário, tem ação e suspense nas medidas certas para prender a atenção do espectador. A segunda, é que trata-se de um filme solo, ou seja, não há o risco de se empolgar com o primeiro e depois encontrar bombas pela frente.

V (papel de Hugo Weaving, o agente Smith de “Matrix”, que aqui em momento algum aparece sem máscara), é um revolucionário determinado a eliminar o regime fascista da Inglaterra futurista de 2020. Implacável e ao mesmo tempo culto e sensível, o herói promete concluir a obra de Guy Fawkes, que quatrocentos anos antes tentou explodir o Parlamento inglês, mas foi descoberto, enforcado e depois arrastado pelas ruas de Londres. Na empreitada, V contará com a ajuda da jovem Evey Hammond (interpretada com garra por Natalie Portman, de “Closer – Perto Demais”), salva por ele das mãos de policiais tiranos. Evey, cujos pais foram mortos por ousar falar mal do governo, logo perderá o conformismo para juntar-se a este herói adepto de métodos terroristas contra o regime ditador.

Sem nunca perder a banca de superprodução, “V de Vingança” conta com um início empolgante, perde as rédeas lá pelo meio, mas volta a melhorar na parte final. Apesar do ritmo irregular, o filme cumpre o que promete e ainda faz uma interessante alusão às possíveis conseqüências de governos intolerantes, como o dos Estados Unidos de hoje.
O espetáculo é reforçado por um excelente time de atores, com destaque para Stephen Rea (de “Traídos pelo Desejo”), Stephen Fry (indicado ao Oscar por “Wilde”), e John Hurt (consagrado como o perseguido protagonista de “1984”, que aqui assume o papel do ditador Sutler).

 

Nota:
Crítica por: Edson Barros
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