Vicky Cristina Barcelona

Os acontecimentos de "Vicky Cristina Barcelona" nos arrastam como um tsunami. A trama trata de um quadrilátero amoroso entre as americanas Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) e os espanhóis Juan Antonio (Javier Bardem) e Maria Elena (Penélope Curz). As amigas Vicky e Cristina vão para a Espanha por motivos diferentes: aquela para terminar suas pesquisas sobre a cultura catalã; esta busca algo que nem ela sabe o que é. Elas receberão a proposta de um fim de semana de gastronomia e sexo na cidade de Oviedo.

Com esta abertura, Woody Allen produz um dos seus melhores filmes - e o melhor da sua "fase européia". Ele conduz as várias reviravoltas sem deixar o espectador perdido, demonstrando sua competência como diretor. O motor dos acontecimentos são os conflitos interiores. Cristina busca novas emoções que possam lhe dar novo sentido para a vida; Juan quer satisfazer seus impulsos; Maria tenta o amor pleno; Vicky é indefinível: seus desejos se alteram ao sabor dos fatos, mas antes esses fatos são resultados de outros desejos seus. Complicado? Allen deixa tudo bem entendido. Detalhar é tirar o prazer de assisti-lo.

Os quatro protagonistas têm atuações excepcionais. Porém, Rebecca Hall se sobressai: trabalhando expressão, tons de voz e movimentos corporais precisos ela reflete os conflitos internos de Vicky.

O que mais chamará a atenção, entretanto, é a vitalidade de Woody Allen. Parece mesmo que os ventos do velho continente lhe fizeram bem. Normalmente, os grandes artistas têm um período de pico na sua carreira, mesmo que dure anos. Allen vinha sendo acusado de falta de criatividade. Após "Ponto Final - Match Point", rodado em Londres, foi incensado pela crítica e sucesso de público (nota: eu não gostei desse filme). Essa tendência tem se mantido. E neste ano, ele dá ao publico um dos mais brilhantes trabalhos.

Tudo impressiona mais quando se lembra que Allen já contabiliza mais de 70 anos e lança praticamente um filme por ano. Vitalidade rara!

Mas não se pode encerrar esta crítica sem falar de Scarlett Johansson. Ok, ok, entre os quatro, ela é a mais apagada. Mas esbanja sensualidade. Tem cenas na qual a única palavra possível seja gostosa! E não me peçam uma palavra mais recatada. Garotas, não levem seus namorados para ver "Vicky Cristina Barcelona"!

Nota:
Crítica por: Georgenor de S. Franco Neto
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